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Mt 5, 1-12

1Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.

2Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:

3"Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!

4Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!

5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!

6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!

7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!

8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!

9Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!

10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!

11Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.

12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.


HOMILIA NO XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Desde o início do ano, eu me propus que a cada momento da liturgia dominical, pudéssemos aprofundar um pouco mais sobre o mistério que celebramos, a santa missa. Chegamos hoje, na festa de todos os santos, e praticamente temos um livro aberto diante de nós, que expõe tudo aquilo que celebramos.

 Por isso, a primeira referência que fazemos ao longo desta reflexão, é o livro do Apocalipse de São João. Se há um livro na sagrada escritura em que encontramos elementos do modo como celebramos os santos mistérios, este livro se chama: Apocalipse.  

Ao adentrarmos no universo deste livro não só percebemos os sinais na visão de São João e, na visão que acompanha a história da Igreja, mas fazemos parte de todo esse corpo apresentado pelo evangelista São João, autor do Apocalipse.

Por isso, referindo-se a este texto, permitam-me começar por uma pergunta feita por um dos anciãos que estavam na visão de São João.  Quem eram esses anciãos? Eram 24 na verdade, na visão de São João, que estavam diante do trono do cordeiro.  Ao redor do Senhor estavam doze, na menção das doze tribos de Israel, doze anciãos, e outros doze, na menção dos doze Apóstolos, portanto 24 anciãos. Um deles faz a pergunta, não se sabe qual, mas pelo menos há referência que é um dos anciãos.

É importante percebermos que no espaço em que celebramos neste santuário, há uma referência explícita aos 24 anciãos do Apocalipse, 12 deles nestas colunas que temos doze colunas, doze apóstolos, cada uma delas com uma cruz referente ao espaço que foi consagrado. Os outros doze representados encontram-se no presbitério, não são anciãos que estão aqui, são crianças, outros são ministros, mas temos doze banquetas colocadas no presbitério que indicam outros doze anciãos.

O espaço da assembleia e o espaço do presbitério tem uma referência a esses 24 anciãos. Voltemos ao texto, um dos anciãos faz essa pergunta: “quem são esses vestidos de roupas brancas? De onde vieram?”. Interessante, descobrimos porque o sacerdote usa roupas diferentes do comum da assembleia, o porquê do espaço litúrgico do presbitério, quem atua usa roupas diferentes.  Basta ver os acólitos, coroinhas, ministros, que portam uma roupa diferente dos outros, não para ser diferentes, mas para ser uma alusão continua de que todos nós, toda a assembleia precisa se revestir de pureza.

Quando colocamos uma veste durante a liturgia, é para que a pessoa fique escondida, mas apareça o Cristo na ação litúrgica. E quem são estes então vestidos de roupas brancas? Há um dia no ano que toda a assembleia deveria estar de branco, na vigília pascal. Eu até indiquei este ano que viessem com roupa branca, pois é neste dia que toda a assembleia num sinal de pureza, renova o seu compromisso batismal.

Perceberam que a veste branca está relacionada ao batismo? No dia do nosso batismo recebemos uma veste branca, ou pelo menos uma menção a esta veste.  O branco é sinal de pureza. Pelo batismo nos encontramos puros diante de Deus, e pelo batismo se apaga todo o pecado, mesmo que permaneça a condição da concupiscência, ou seja, a tendência para o pecado, mas é o batismo que nos dá uma filiação a Deus.

E fazemos já, neste momento, uma referência a segunda leitura de hoje, a leitura da primeira carta de São João, e Ele vai dizer nessa carta o seguinte: “que há um grande presente que Deus deu a todos nós”. Qual é este presente? De sermos chamados filhos de Deus, e o somos, desde já, pelo batismo chamados filhos de Deus. E se somos filhos, a nossa ação no mundo também deveria ser como filhos de Deus, e não como filhos das trevas.  Como então nos portaríamos? Buscaríamos sempre manter aquela veste branca recebida? E quando manchamos a veste, o que buscaremos? Uma reconciliação com Deus?

Por isso a alusão a estas vestes brancas é uma alusão a especial pureza que precisamos buscar, e a este processo de santificação. Mas, como na verdade nos encontramos hoje? Mesmo não portando uma veste branca visivelmente, nem todos estão portando, mas cada vez que participamos da missa, o nosso coração precisa estar purificado, pelo menos no desejo de querer ser melhor, pelo menos no desejo de santidade.

Acredito que ninguém participa da missa querendo ser a mesma pessoa, e nem para agir mal no mundo, mas para fazer o bem, e é por isso que nos encontramos aqui.  Eu em pé diante do trono do cordeiro, vocês daqui a pouco em pé, cantarão o santo no momento da liturgia eucarística, conforme nos indica o texto do apocalipse.  Todos em pé diante do cordeiro, com voz forte, rezavam o seguinte: “a salvação pertence ao nosso Deus que está sentado no trono e no cordeiro”, e de repente, quando cantavam este canto, uma alusão ao cordeiro, juntou-se numerosos anjos, que estavam de pé diante do cordeiro, dos anciãos, dos quatro seres vivos, que são os quatro evangelistas. Então estavam todos diante do cordeiro, e os anjos vieram diante desses quatro seres vivos e prostravam-se com o rosto por terra diante do trono.

Percebem por que a liturgia está carregada de gestos e prostrações, de resignação, de adoração, e fazemos isso como uma alusão àquele momento em que o Senhor se revela.  Alguns chegam a perguntar: padre, por que na missa tantos gestos? Tudo está no Apocalipse de São João, podemos encontrar na revelação de São João. Por isso, é um livro aberto para a liturgia, e eles todos adoravam a Deus com esta expressão: “amem, o louvor, a glória, a sabedoria, honra, poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre”.

Este amém é uma alusão ao momento da doxologia. Lembremos: no final da prece eucarística o padre toma o corpo e o sangue do Senhor, apresenta à assembleia dizendo: “por Cristo, com Cristo, em Cristo”, e toda a assembleia vibrante repete como estes: “amém”, quer dizer eu aceito o louvor, a gratidão, pertencem ao nosso Deus.

Que bela experiência fazemos todas as vezes que participamos da missa! Chegamos agora no número daqueles assinalados, convidados a participar no banquete do cordeiro.  Diz o texto do Apocalipse que estava lá São João vendo um anjo que trazia a marca do Deus vivo, e este anjo dizia: “não façam mal a terra, nem a ninguém até que todos sejam marcados”. Quem são estes que foram marcados? Eu ouvi então, diz São João, era o número de cento e quarenta e quatro mil.

Que profundo  é este texto ao revelar o número dos assinalados, doze Apóstolos, doze tribos de Israel, doze vezes doze, cento e quarenta e quatro mil gerações.  Enfim, o antigo e novo testamento, todos marcados com o selo de santidade, e estes que foram marcados estavam ali, portanto também podemos fazer parte deste grupo.

Diante do trono e do cordeiro trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Na vigília pascal não trazemos palmas porque já trouxemos no dia do domingo de ramos, sinal do Cristo vitorioso, mas trazemos uma vela na mão, sinal de que queremos renovar nosso compromisso de batizados.

O próprio Apocalipse abre-se a nós como um livro para que se expresse aquilo que estamos celebrando.  Voltamos então à resposta a pergunta feita por aquele ancião, quem são estes de vestes brancas?  Eu respondi: diz São João, só Deus sabe, estes são os que vieram da grande tribulação.  Quem de nós não enfrenta tribulação e sofrimento no mundo? E saímos das tribulações e sofrimentos, e experimentamos aqui na eucaristia o modo de estarmos em comunhão com Deus.

E é por isso que a liturgia nos dá essa oportunidade única, de experimentar aqui na terra o que é um pedaço do céu.  Experimentarmos aqui o que é realmente ser santo, e esta busca por santificação, se experimentamos isso, é para que um dia estejamos face a face com Deus.

Para estarmos face a face com Deus é necessário um processo de santificação. Ser santo não significa ser perfeito, nem entrar num mosteiro ou vida religiosa, mas é preciso que nos santifiquemos no estado que Deus deu a cada um de nós. Como sacerdotes, pais e mães de famílias, como filhos, nos santificaremos por meio das bem-aventuranças, que nos indicam o caminho dos céus.

E já que estamos falando de espaço litúrgico há uma referência às bem-aventuranças.  Por que dez bem-aventuranças? Segue se uma interpretação das bem aventuranças que  representam o plenitude dos 10 mandamentos.  A escada do nosso presbitério, cinco degraus de cada lado fazem alusão aos dez mandamentos e as bem-aventuranças. Para entrarmos no mistério de Deus é preciso que sigamos o caminho de santificação por meio dos mandamentos e das bem aventuranças. Por isso tantos procuram o caminho da santidade, e o caminho para viver o evangelho neste espírito.

 Para concluir tomemos as palavras do papa Francisco que ano passado fez uma ideia alegórica bem importante dizendo: “a solenidade de todos os santos é a nossa festa, não por que somos bons, mas porque a santidade de Deus tocou a nossa vida. Os santos não são pequenos modelos perfeitos, mas pessoas que foram atravessadas por Deus. Podemos comparar os santos com os vitrais das Igrejas, que fazem entrar a luz em várias tonalidades de cor, os santos são nossos irmãos e irmãs que receberam a luz de Deus no seu coração e a transmitiram ao mundo segundo a sua tonalidade. Mas todos foram transparentes, lutaram para tirar a ancha e obscuridade do pecado, de modo que a luz de Deus passe por si mesmos”.

Assumamos as palavras do papa em nossas vidas, fazendo passar a luz como um vitral, passando a luz de Deus na sua tonalidade e diversidade. 

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 04/11/2018. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO