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Mt 5,1-12

1Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.

2Então abriu a boca e lehs ensinava, dizendo:

3"Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!

4Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!

5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!

6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!

7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!

8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!

9Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!

10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!

11Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.

12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.


HOMILIA NA SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Vede que grande presente de amor o Pai nos deu, de sermos chamados filhos de Deus, e nós o somos! A frase que acabamos de ouvir compõe a primeira carta de São João, e no terceiro capítulo São João nos lembra este precioso presente: somos filhos de Deus.

            Mas como adquirimos a filiação divina, e como poderemos ao longo da nossa vida cultivar essa filiação, inclusive como uma forma certa de um dia nos encontrarmos face a face com nosso Pai celeste, eis o objetivo da celebração de todos os santos, em primeiro lugar lembrar que nós temos uma vocação neste mundo, vocação a santidade, mas também, estar em comunhão com aqueles que peregrinaram neste mundo e tornaram-se referenciais para nós, como modelos de santidade, os nossos santos e santas.

            Na primeira proposição quando falamos desta caminhada ou itinerário de fé, nós lembramos que um dia nos tornamos filhos de Deus, e por meio do santo batismo, de criaturas criadas por Deus, nos tornamos filhos do Pai Celeste, a filiação divina foi nos concedida pelo santo batismo.

            Por isso, desde o momento em que fomos batizados, uma semente foi colocada em nosso coração por meio da fé, e está semente, ao longo do tempo que ela é cultivada, e até torna-se uma arvore pequena e depois um pouco maior, começa a produzir frutos, tornando-se assim para nós, um verdadeiro processo de santificação, poderíamos até dizer: um processo de justificação, tão necessária para a nossa vida.

            E é desde este momento que nós nos sentimos filhos de Deus que entramos neste itinerário, que terá seu momento sublime, diz inclusive o próprio São João: no momento em que Deus se manifestar, nós o veremos tal como Ele é, e só faremos isso se, durante a vida procurarmos viver uma caminhada de santificação, para que assim possamos estar face a face com Deus.

            Neste mesmo propósito de fazer um bom processo de santificação, o evangelho de hoje nos apresenta as bem-aventuranças, no evangelho de São Mateus, damos uma folga esse final de semana para Lucas, já que ele está trabalhando o ano inteiro, daqui a pouco termina o seu tempo, e damos espaço para o evangelho de São Mateus.

            São Mateus escreve de uma forma tão ordenada, mas ao mesmo tempo em conjunto tão precioso, e tinha como objetivo provar aos judeus que Jesus é o filho de Deus, o que faz então Mateus? Nos mostrando um itinerário de santificação, ele mostra as bem-aventuranças justamente revelado no monte.

            Lembremos que, no antigo testamento também houve um monte chamado Sinai, o monte santo, lá subiu Moisés, dialogou com Deus, ao descer leu as tábuas da lei dizendo ao povo: querem tornar-se santos, próximos de Deus? Sigam os dez mandamentos, o decálogo, agora, São Mateus coloca o Cristo como o novo Moisés, mostra Jesus diante de uma multidão e subindo ao monte, sentando-se, e quando se aproximaram ele começou a ensinar, este sermão é chamado sermão da montanha, mas poderíamos dizer: são as novas bem-aventuranças que, tornam-se um caminho de santificação.

            Plenamente os mandamentos continuam sendo cumpridos nas bem-aventuranças, e Mateus inclusive escreve na forma muito concreta, mostra Moisés, mostra o Cristo, e as bem-aventuranças também são escritas de maneira a mostrar que aqui também há um decálogo, não em oposição aos antigos mandamentos, mas este decálogo agora, mostra como nós podemos nos santificar.

            O próprio Jesus falará das bem-aventuranças num estudo minucioso nós poderíamos até resumir em oito aventuranças, os estudiosos da sagrada escritura falam de oito, mas na perspectiva de Mateus ele organiza para que nós percebamos dez bem-aventuranças, um sinônimo de bem-aventurados seria feliz, ou seja, aqueles que estão num processo de santificação são bem-aventurados, e como deve ser então este processo? Diz Jesus: o caminho de fé, o itinerário rumo ao céu, os bem-aventurados são os pobres em espirito, os aflitos, os mansos, os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, e a oitava: os que são perseguidos por causa da justiça.

            Desdobra-se depois a nona bem-aventurança falando da perseguição, mas também das injurias, bem-aventurados sois vós, quando forem injuriados e perseguidos, e completa-se o grupo das bem-aventuranças com o mandamento: alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa no céu.

            É um texto didaticamente escrito, que mostra um itinerário a seguir, se queremos um segredo para irmos para o céu, o segredo está revelado nas bem-aventuranças, os padres da Igreja diziam o seguinte: que nós poderíamos perder tudo do novo testamento, mas se nós encontrássemos as bem-aventuranças nós não perderíamos nada, pois aqui está a essência da vida de fé.

            Se falamos de uma caminhada no nosso itinerário de fé, vamos concluir falando um pouco sobre o itinerário já vivido por alguns de nossos irmãos que já são santos, canonizados, exemplo recente de santa Dulce dos pobres, mas aqueles também que poderíamos lembrar de pessoas que viveram um processo de santificação, talvez nunca serão canonizados oficialmente, mas estão no grupo daqueles que João fala no seu apocalipse, no grupo de cento e quarenta e quatro mil. Este número é muito simbólico, corresponde ao antigo testamento, doze tribos de Israel, ao novo testamento, doze apóstolos, doze vezes doze, cento e quarenta e quatro surge, mil vezes, inúmeras gerações, pois nós também podemos ser eleitos para sermos santos.

            Enquanto peregrinamos neste mundo, nós somos aqueles que buscam um itinerário de fé, quando partimos deste mundo, nós também contaremos com orações daqueles que estarão no mundo, mas caminhamos para a coroa da glória, recebamos uma veste branca da pureza e São João fala justamente isso, quando os anciãos que estavam na visão perguntaram: quem são estes agora com as vestes tão alvejadas? São João responde: estes vieram da grande tribulação, da peregrinação do mundo com grandes tribulações, mas lavaram, alvejaram as roupas no sangue do cordeiro.

            Como é que um sangue pode purificar? De fato, só o sangue de Cristo, que purifica, que nos dá a condição da saída do pecado para a graça, de uma vocação sublime assumida no batismo, rumo a santificação, por isso, temos a certeza, muitos já foram marcados na fronte pelo batismo, e com a marca da realeza estão no céu intercedendo por nós, muitos ainda farão este processo, caberá a nós também, sermos luz neste mundo, para que assim, também um dia sejamos santos.

            Quero concluir com uma imagem marcante para mim na semana, basta acessar as nossas redes sociais, e assim ver uma bela imagem feita por um fotógrafo a noite, a visão do oriente e pegando toda a parte da cidade, poderia ser uma noite qualquer, muitas luzes acesas na escuridão, lembrando que nós somos luzes neste mundo, no centro dessas luzes, o coração a pulsar, como se realmente o Cristo, o sol nascente estivesse permanente, pulsando, iluminando a cidade, é destaque o coração de Jesus no nosso santuário.

            E nesta bela imagem, além do Cristo, realmente no seu coração chama atenção as luzes da cidade, nós somos as luzes, nós convidados a sermos santos, e quando acendemos a luz, nos tornamos luz e estamos num processo de santificação.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 03/11/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO