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Lc 18, 1-8

1Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.

2Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma.

3Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me justiça contra o meu adversário.

4Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens;

5todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar.

6Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto?

7Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los?

8Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?


HOMILIA NO 29° DOMINGO DO TEMPO COMUM

Neste domingo celebramos mundialmente o “Dia das Missões” e estamos em outubro comemorando, de um modo muito especial e a pedido do Papa, um mês extraordinário em favor das missões. Há ainda outra consideração que é bom sempre lembrar. Logo no início do mês de outubro, na memória que fazíamos de Santa Terezinha do Menino Jesus, lembrávamos deste caráter missionário da Igreja.

A partir destas constatações, poderíamos nos perguntar: como celebrar neste domingo, numa consonância maior, justamente a missionariedade a que somos chamados enquanto pertencentes a Igreja de Cristo? E tomando então os textos bíblicos, a palavra de Deus como referência, vamos pensar a respeito do modo como Jesus revela e interpela a vivermos esse direcionamento.

Começamos hoje com a segunda leitura, a carta de São Paulo a Timóteo. Há um verbo insistente nessa leitura, “permanecer”. Por meio dele compreendemos qual é a dinâmica a qual somos chamados neste domingo, principalmente estarmos em comunhão com Deus.

            Que bela expressão de fé quando percebemos uma Igreja bastante lotada, naquele anseio de muitos que querem encontrar-se com Deus. Essa dinâmica de permanecer com o Senhor, também está ligada a uma busca constante por Ele. Buscar o Senhor, encontrá-lo de um modo comunitário todos os domingos ou em outras ocasiões em que somos convidados a orar comunitariamente, consistirá numa essência que jamais deveríamos esquecer.

Culminará neste domingo o modo de permanecer em oração, nós enquanto comunidade, entregarmos um modelo de oração para nossos catequizandos da primeira etapa, a oração do Pai Nosso, que é uma expressão do modo como Jesus nos ensinou a rezar. Ele nos deu um modelo de oração, e por meio dele, compreendemos esta dinâmica comunitária que faz parte desta essência ou do modo como procuramos a Deus.

Evidentemente, a vida comunitária ou a oração comunitária nos leva também a momentos de encontros pessoais com o Cristo, e é como se estivéssemos aqui diante de duas realidades que cercam a história humana: os momentos de oração pessoal, que são importantes, e os momentos de oração comunitária, quando rezamos juntos diante do Senhor.

            Por isso, aqueles que procuram permanecer com o Senhor, buscando-o constantemente, estão diante de um grande acontecimento que antecipa algo que um dia viveremos de maneira sublime, antecipa aquela realidade que tanto desejamos, de estar face a face com o Senhor.  Na verdade, aqui poderíamos compreender o que é realmente orar.

            Orar significa estar diante de Deus ou buscar a face de Deus ou contemplar o rosto de Deus, e há muitos modos de rezar.  Aprendemos pela oração do Pai Nosso que nossa oração está permeada de alguns pedidos, então, da segunda leitura, podemos pensar no evangelho, pois há uma insistência quando rezamos o Pai Nosso, há 7 pedidos que fazemos ao Senhor. Se fazemos pedidos, é porque cremos que Ele nos atenderá. Na parábola de hoje contada por Jesus, trata-se do modo como precisamos compreender que a nossa insistência na oração produz algo importante, a compreensão da vontade de Deus.

            Se permanecemos com o Senhor e insistimos na oração, compreenderemos esta parábola.  O evangelho narra a parábola de um juiz que não era tão justo, e não compreendia a dinâmica ou a insistência de alguém que vinha até ele e pedia justiça. Mas chegou um momento em que uma viúva se aproxima dele, e é insistente, até o aborrece, ele diz: já não aguento mais essa viúva insistindo nesse pedido que me faz, então eu vou então atender o seu pedido. Essa é a resposta de Jesus: se um juiz injusto, pela insistência de uma viúva, atende a um pedido, o que poderíamos falar de Deus, que na verdade é o justo juiz?

            Neste sentido, o salmo responsorial de hoje nos ajuda a compreender Deus enquanto aquele que está a nos esperar, e que atende as nossas necessidades.  Porque o salmo fala daqueles que se voltam para o alto, para o monte e pedem com insistência a Deus. Do mesmo modo, o salmo também diz que Deus está aguardando, e está em vigilância com aqueles que o temem, e termina dizendo que Deus guardará aqueles que o temem, e protegerá de todo o mal.

            Se estamos em oração e buscamos em vários pedidos um diálogo com Deus, é para compreendermos o que rezamos no Pai Nosso, a vontade do Senhor.  A oração não é para que se faça a minha vontade, mas é para compreendermos a vontade de Deus na nossa vida. Por isso a insistência, na nossa oração, consistirá nesta compreensão de que talvez não receberemos no momento que pedimos, receberemos depois. Compreenderemos ainda que nem tudo que parece e convém recebermos, mas receberemos de acordo com a vontade de Deus. Ele jamais deixará perecer aqueles que o buscam e pedem com insistência.

            Partindo agora para o livro do Êxodo, na primeira leitura, insistimos na tarefa de rezarmos de maneira comunitária, que nos leva para alguns momentos de oração pessoal. O livro do Êxodo narra o momento na história de Israel de um episódio bastante curioso.  Há uma guerra entre os israelitas, o povo de Israel, com os amalecitas. Na percepção  de Orígenes, padre da Igreja, fala-se o seguinte: esta imagem é a luta travada diariamente entre aqueles que querem fazer o bem, e aqueles que fazem o mal. Israel é a representação da bondade de Deus, enquanto que Amalec ou amalecitas é a representação do maligno que muitas vezes precisa ser vencido pela força da oração.

            Então, há uma guerra travada entre Israel e os Amalecitas, e Moisés, que era no princípio e nessa época, aquele que liderava o povo, sobe para o monte, sai de uma realidade de guerra e deixa Josué combatendo.  Mas vejam o que Moisés faz, sobe para o monte, escolhe o alto da colina, e com a vara de Deus na mão, começa a rezar com os braços levantados.  Rezamos muitas vezes com braços abertos, na própria significação do modo como Deus nos salvou em Jesus, com os braços abertos.

            Manter os braços abertos em oração por muito tempo é muito difícil, essa é a curiosidade do texto bíblico.  Enquanto Moisés rezava, mantendo os braços levantados, Israel vencia, quando cansava os braços e os abaixava, os amalecitas começavam a vencer.  O mal muitas vezes começava a imperar, e percebendo os braços que não permaneciam levantados, alguns homens foram lá e mantiveram os braços de Moisés colocando debaixo do braço uma pedra. Quando combatemos juntos o espírito maligno, compreenderemos que em algumas situações precisaremos amparar o outro, quem sabe até colocar uma pedra para que as mãos se mantenham levantadas.

É nesse sentido que a oração se torna algo que pessoalmente fazemos, mas na forma comunitária nos abraçamos.      Pessoalmente fazemos porque somos convidados a alguns momentos de silêncio. A oração não é só pedido, há alguns momentos em que simplesmente contemplamos o olhar de Deus, alguns lugares específicos que podemos rezar, mas, sobretudo, a forma comunitária de orar sempre nos levará a uma aproximação de Deus,  e quem se aproxima de Dele, quem se aproxima do Pai, não quer afastar-se deste olhar.

            Resumindo, a oração será sempre uma grande resposta em alguns momentos específicos, na missa, nas formas pessoais, ou outras devoções que fazemos.  Mas a partir do momento em que compreendemos que Deus faz parte do cotidiano em que vivemos, compreenderemos  a força da oração, e que de fato, os momentos de oração sustentarão a vida cotidiana. 

Mantenhamos os olhos fixos em Jesus, sejamos criativos nos momentos de oração comunitária e pessoal, mas jamais nos esqueçamos de manter a nossa oração em favor da Igreja.

            Termino como comecei: fazendo uma referência a Santa Terezinha do Menino Jesus, patrona das missões, ela nunca esteve de modo pessoal num ambiente missionário, mas a Igreja a escolheu para patrona das missões pela força da oração desta mulher.  Todos os dias rezava pelos missionários, estava no Carmelo insistindo com o Senhor, para que a Igreja missionária pudesse estar amparada pela força do Espírito Santo.

            Peçamos a Santa Terezinha que nos ensine a rezar, assim como Jesus nos ensinou pela oração do Pai Nosso, que o exemplo desta patrona das missões, doutora da Igreja, seja estímulo, para que estejamos em comunhão com Deus, em comunhão com os missionários.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 20/10/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original

Escrito por: PE. MAURÍCIO