LITURGIA NOTÍCIAS DA IGREJA SANTUÁRIO O PÁROCO APOSTOLADO DA ORAÇÃO PASTORAIS DIZIMISTAS ARQUIDIOCESE DE CURITIBA LITURGIA DOMINICAL EVENTOS MENSAGEM DO PAPA


Lc 17,11-19

11Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava pelos confins da Samaria e da Galiléia.

12Ao entrar numa aldeia, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando:

13Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!

14Jesus viu-os e disse-lhes: Ide, mostrai-vos ao sacerdote. E quando eles iam andando, ficaram curados.

15Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.

16Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano.

17Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?

18Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?!

19E acrescentou: Levanta-te e vai, tua fé te salvou.


HOMILIA NO 28° DOMINGO DO TEMPO COMUM

Todas as vezes que nos reunimos em torno da palavra de Deus, em torno da
mesa eucarística, celebramos uma grande ação de graças. A santa missa quer ser sempre
motivo de júbilo por tudo o que recebemos ao longo da existência e, a cada celebração
participada, a Igreja nos oferece oportunidade, por meio da liturgia da palavra, de um
aprofundamento peculiar.
Este ano, estamos caminhando com o evangelho de São Lucas. É bom sempre
lembrar este dado por que, no domingo, praticamente lemos o evangelho de Lucas de
forma contínua. Estamos no capitulo 17, nessa caminhada que Jesus faz rumo à
Jerusalém. Os outros evangelistas também falam deste processo vivido por Jesus, mas
especificamente São Lucas faz questão de mostrar o caminho percorrido por nosso
Mestre.
Desde o capítulo 9, no versículo 51, onde há um momento em que Jesus toma a
firme decisão de seguir para Jerusalém, até chegar ao lugar onde acontece todo o
mistério da paixão, morte e ressurreição, Ele realiza vários sinais, encontrando-se com
diferentes povos e culturas, sendo sinal de Deus na história de muitas pessoas.
Nestes encontros de Jesus, hoje se destaca no capítulo 17, o momento em que
está diante de dez leprosos. Na sagrada escritura há vários textos bíblicos que falam a
respeito da lepra, hanseníase como conhecemos atualmente, infelizmente ainda é uma
doença do nosso tempo e desafio para muitas pessoas.
No tempo de Jesus, e até oito séculos antes, era uma doença que levava as
pessoas à exclusão completa do convívio social. Esses 10 leprosos estavam distantes de
Jesus e assim como também o exemplo de outro leproso, na leitura do livro dos Reis,
Naamã, o Sírio.
O próprio Jesus vai destacar que esse homem foi curado, porque realmente
encontrou a fé no Deus único e verdadeiro, o Deus de Abraão, de Isaac, e de Jacó. Ele
pertencia a outro povo, não era hebreu, mas tinha consigo uma serva que lhe anunciou o
Deus único e verdadeiro, falou que poderia ir ao encontro de um profeta, Eliseu, e por
meio deste profeta receberia a cura, e assim o fez.
Tendo mergulhado sete vezes no rio Jordão, obedecendo à ordem do profeta, eis
que Naamã encontrou a cura da lepra. O que se destaca nesta primeira leitura? Foi o
modo como Naamã, um general no seu tempo, voltou para agradecer ao profeta o dom
da cura que havia recebido. Chega à frente do profeta Eliseu e quer oferecer um
presente, mas o profeta não aceita e diz: oferece o melhor presente, a partir deste
momento, não mais estará diante de outros deuses, deixará o culto a outros deuses de
lado, o culto verdadeiro será ao Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.
A mudança na vida de Naamã aconteceu radicalmente, assim como na vida
desses dez leprosos. Mesmo que alguns deles não tenham feito o processo de cura, Deus
utiliza este momento para mostrar que a cura física mostrada a eles é um sinal
extraordinário.
Se pensarmos não só na lepra, podemos fazer uma relação com outros tipos de
doenças que existem, como o pecado, o orgulho, a vaidade. Esses pecados nos tiram da
comunhão com Deus, mas poderíamos fazer a mesma experiência dos dez leprosos que
foram curados e depois a experiência daquele que voltou para agradecer.
Ao tomarmos este texto, cada frase contida no evangelho de Lucas vem
carregada de um simbolismo muito grande. O grito, por exemplo, que sai da boca desses

dez leprosos, é o grito daqueles que estavam sofrendo pela doença física: Jesus, mestre,
tem compaixão de nós. A tradução mais fidedigna poderia ser: tem misericórdia de nós,
mas as duas palavras estão em consonância, o sentido de compaixão é estar ou colocar-
se no lugar daquele que está sofrendo. E a misericórdia é a condição de um Deus que
utiliza um modo muito particular, um dom precioso, de perdoar, de aliviar as dores
humanas.
Quando Jesus vê esses dez leprosos, envia-os em missão: “ide, apresentai-vos
aos sacerdotes”. Percebam que Jesus, nesse contexto, não toca os leprosos, mas no
capítulo quinto, do evangelho de Lucas ele curou outro leproso e fez o toque com as
mãos.
No capitulo 17 o evangelista está falando a respeito da força da palavra de
Cristo, que vem do alto com seu anúncio. Por isso, pela força da palavra, Ele curou
estes 10 leprosos, enviando-os ao templo, pois esse era o único meio de voltarem ao
meio social, quando o sacerdote os examinasse e percebesse que haviam sido curados.
Acontece que, enquanto caminhavam foram curados.Este detalhe não é um detalhe
qualquer no evangelho, pois enquanto peregrinamos neste mundo rumo à Jerusalém
celeste, o Senhor também realiza muitos sinais, mas é preciso caminhar. Tenho até
insistido, é preciso fazer algo, Deus realiza sinais para aqueles que ficam de braços
cruzados? Pode até fazer, mas como é bom ver os sinais naqueles que estão num
processo, caminhando, que obedecem a ordem que vem de Deus.
Imaginem se não obedecessem a ordem, a cura não se realizaria, Jesus diz: “ide,
apresentem-se ao sacerdote”. É como se o Senhor pudesse nos dizer que também
sofremos com tantas feridas na alma, físicas também, ide para um lugar onde encontrem
cura, ide para a ação de graças que é a eucaristia.
E quando estes se colocaram a caminho, um deles percebeu que tinha sido
curado, então ele voltou para Jesus e glorificou a Deus em alta voz. Quem recebe um
milagre na vida não guarda para si, um milagre que acontece precisa ser espalhado aos
quatro cantos do mundo e, neste caso, Jesus realiza um milagre e dá a possibilidade
desteglorificar a Deus.
Acompanhei um pouco esses dias, pelos meios de comunicação, como Deus é
benevolente, e no caso de nossa querida irmã Dulce dos pobres, hoje santa, quantos
sinais já realizou na vida das pessoas. O último milagre reconhecido para a sua
canonização fala muito de uma cura onde médicos não compreenderam o que de fato
aconteceu. A um homem foi dada a possibilidade de ver. Ele estava na cerimônia de
canonização que ocorreu hoje em Roma agradecendo por este dom. E quantos milagres
realizados por Jesus, por intercessão dos santos!
E no caso de Santa Dulce dos Pobres, este foi o terceiro processo mais rápido, 27
anos depois estamos celebrando sua canonização, e aproveitando a ocasião para mostrar
que milagres continuam acontecendo, mas é preciso glorificar e agradecer, como este
samaritano que se atirou aos pés de Jesus, com o rosto por terra e ficou agradecido.
Penso que também esta parte do evangelho nos fala muito, quando chegamos à
Igreja dobramos o joelho, tocamos na água benta e fazemos genuflexão ao Senhor,
como gesto de adoração. O principal gesto nosso não pode ser só de pedido, cansamos
Deus deste jeito, é claro que há ocasiões que chegamos desesperados por muitas
situações. Mas como é bom ver pessoas que chegam à Igreja e dizem: hoje só vim
agradecer! É a visão deste samaritano que encontrando um sinal na vida, foi até Jesus e
agradeceu. E era samaritano, nem pertencia à raça dos hebreus. Após a cura Jesus

continua o diálogo com ele, mas não foram dez os curados? Onde estão os outros nove?
Não houve ninguém que voltasse para agradecer? acrdito Jesus já soubesse da nossa
dinâmica atual. Pensem, por exemplo, quantas pessoas estão ao redor do nosso santuário
no bairro, não chegamos hoje, num final de semana, nem a 10% de pessoas que vem
agradecer. O que dirá chegarmos a 100%! Talvez atingimos 3, 4% da população que
sabe agradecer. Por isso a Igreja insiste conosco, há muitos que precisam ser
evangelizados, muitos que precisam aprender a dar graças a Deus. A porcentagem até
que foi boa, de dez, um faltou, na porcentagem atual há inúmeros desafios, por que 2,
3% vêm à missa, mas há muitos outros que precisam escutar uma voz profética
aprendendo o dom da ação de graças.
E Jesus continua, terminando justamente com essa ideia essencial, volta-se ao
samaritano e diz: levanta-te! Como nos levantar a cada missa. Por isso, se chegamos
muitas vezes prostrados com o rosto por terra, o nosso olhar quando saímos não pode
ser de prostração. Quem se encontrou com Cristo não pode sair triste de uma missa,
precisa sair com o rosto erguido, com o sorriso daquele que experimentou a presença de
Deus. “Levanta-te e vai, tua fé te salvou”.
Há uma diferença primordial entre aqueles nove que encontraram cura física e o
samaritano, que além da cura física, teve também a cura espiritual, foi salvo, encontrou
a salvação. Há muitos sinais no nosso tempo, mas é preciso que, por meio deles,
busquemos um caminho de conversão e salvação. É assim que Deus nos providencia a
melhor forma, o melhor caminho e, com certeza, nos ampara em todo o processo.
Peçamos a Maria Santíssima o dom da fé, assim como intercedeu por tantas
pessoas, olhe por nós, intercedendo por nossas necessidades, para que sejamos curados,
física e espiritualmente, para que assim encontremos a salvação.

Escrito por: PE. MAURÍCIO