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Lc 17,5-10

5Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé!

6Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.

7Qual de vós, tendo um servo ocupado em lavrar ou em guardar o gado, quando voltar do campo lhe dirá: Vem depressa sentar-te à mesa?

8E não lhe dirá ao contrário: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto como e bebo, e depois disto comerás e beberás tu?

9E se o servo tiver feito tudo o que lhe ordenara, porventura fica-lhe o senhor devendo alguma obrigação?

10Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer.


HOMILIA NO 27° DOMINGO DO TEMPO COMUM

Com esta celebração do 27° domingo do tempo comum, damos início ao mês
missionário extraordinário. Outubro no Brasil já é bem conhecido como mês
missionário, mas o Papa Francisco determinou, desde o ano passado, que esse mês seja
vivenciado em todo o mundo como um mês extraordinário em favor das missões.
Inclusive hoje, em unidade com a Igreja que é missionária, o Papa inicia o Sínodo Pan-
Amazônico. Estejamos unidos a esta realidade e percebamos, pela liturgia da palavra,
como o Senhor Jesus nos estimula a sermos missionários neste mundo. Tomando cada
um dos textos escolhidos, vemos que há uma virtude que precisa ser cultivada dentro do
coração humano, virtude essa recebida no batismo e chamada fé.
Quando se faz aquela pergunta aos pais e padrinhos: o que vocês pedem para a
Igreja para o filho ou para a filha de vocês? No dia do batizado, respondem: a fé, ou o
batismo. Depois de um tempo, torna-se necessário, enquanto discípulos do Senhor, que
reafirmemos esta fé.
Por isso que vocês, queridos catequizandos, nesta 4° etapa da catequese estão
cultivando um tempo de experiência de encontro com Cristo, para que possam professar
aquela mesma fé que seus pais e padrinhos professaram no dia do batismo.
Na experiência atual da Igreja há um convite para que essa experiência de fé que
fazemos, sempre no domingo, seja bem vivenciada pelos cristãos, não só numa forma
externa, ou como muitas vezes fazemos, só professando com a boca.
Alguns de nós, catecúmenos, ou adultos que já receberam todos os sacramentos
da vida cristã, também viveram essa experiência profunda por meio de um processo que
chamamos processo de iniciação a vida cristã, catecumenal. Lembremo-nos, que no rito
de admissão ao catecumenato o padre se volta para os catecúmenos fazendo esta
pergunta: o que vocês pedem hoje para a Igreja? E respondem: a fé. Ele faz outra
pergunta: e a fé, o que vos dará? A resposta: a vida eterna.
É profundo este diálogo e queria que estabelecêssemos hoje, da nossa
comunidade com Deus, quando somos questionados a respeito da nossa fé, ao mesmo
tempo tendo este itinerário que acontece desde o momento que professamos a fé,
principalmente no batismo, até o momento em que vamos para a vida eterna.
Esta caminhada que fazemos chamamos tempo de peregrinação neste mundo e
perceberemos onde nossa fé será vivenciada, não apenas de um ponto de vista pessoal e
egocêntrico, mas vivenciada dentro da Igreja.
Por isso a pergunta do padre sempre é esta: o que vocês pedem para a Igreja, ou
seja, para a comunidade, a qual fortalece a vida de fé. Por isso, pertencer a Igreja
significa entrar neste itinerário, entrar neste caminho.
No início, a Igreja não tinha este nome, comunidade, chamava-se a Igreja de
caminho. De fato, quem pertencia a Cristo entrava em uma caminhada rumo à vida
eterna, mas caminhada marcada por um encontro pessoal com Jesus Cristo.
Se pertencemos a uma comunidade é para que os dons que recebemos desde o
batismo, sejam colocados à disposição. Que beleza há numa comunidade onde os dons
não estão enterrados, e sim colocados a serviço.
Queridos catequizandos desta 4° etapa, vocês estão num itinerário onde são
colocados os dons a serviço, num ministério de música, dons daqueles que ajudam
numa evangelização na catequese, ou numa pastoral que atende pessoas mais carentes,

enfim, há uma diversidade de ministérios, carismas, que se colocados em comum se
transformam.
Este é o grande jardim florido da Igreja e é por essa condição que nos tornamos
servos de Cristo. Por que fazemos isso? Para que no final o Senhor venha nos
agradecer? Não! Fazemos isso porque essa é uma obrigação da nossa alma. Somos
servos, e por mais que fazemos muito, estamos fazendo nosso dever. Dizemos numa das
respostas antes da prece eucarística: é nosso dever e nossa salvação.
E é por isso que Jesus vem dizer: somos servos inúteis. Nessa condição que
aprendemos o que é o serviço diante de uma comunidade e ninguém o faz para receber
uma gratificação neste mundo. Olhem que beleza uma catequista que deixa um pouco
da sua realidade familiar para ajudar seus catequizandos, fazem isso num processo de
amor, de evangelização.
A Igreja, portanto, é missionária neste sentido, pois o batismo não é para ser
guardado. Mas, como podemos aumentar a fé? À medida que não perdemos a
esperança. Na primeira leitura de hoje, com certeza guardamos muito pouco, porque é
um texto do antigo testamento, texto de Habacuc, escrito num momento que uma
comunidade já tinha perdido a esperança, achando que Deus a tinha abandonado. Da
mesma forma como muitas vezes nos sentimos, abandonados, agora, o profeta diz: não
se preocupem, Deus não tardará, o justo viverá pela fé.
Esta mesma fé, num outro exemplo, no antigo testamento, também foi uma fé
que São Paulo pediu a seu amigo Timóteo, que possa se relembrar o dia que recebeu a
sua ordenação, e colocou-se a serviço de uma comunidade; exorto-te meu irmão,
reaviva a chama do dom de Deus. O dom de Deus é a fé que recebestes pelas
imposições das mãos.
Muitos de nós recebemos pelas imposições das mãos no sacramento da crisma,
mas não precisamos ser reavivados na fé? Precisamos! E aqueles que ainda não foram
crismados, estão buscando este caminho? Reavivar a semente da fé, recebida no
batismo. Quantas vezes nos sentimos perdidos no mundo, porque a chama da fé não
está sendo cultivada. Estar junto a uma comunidade, participar da missa dominical,
rezar e buscar o Senhor, tudo isso nos ajuda, a alimentar a nossa vida de fé.
Mas guardemos: a fé não é algo que fazemos apenas de um ponto de vista
pessoal, a fé precisa ser vivida junto a uma comunidade, juntos professamos a fé, pois
precisa ser feita publicamente. Quando professamos a fé, cremos realmente nas
realidades de um Deus que se revelou na comunidade, aprendemos a encontrar com o
Senhor.

Escrito por: PE. MAURÍCIO