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Jo 16,12-15

12Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.

13Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.

14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará.


HOMILIA NO DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

          Depois da grande solenidade de Pentecostes, reabrimos o tempo comum com essa solenidade da Santíssima Trindade, e com a sabedoria da Igreja, quero convidá-los a mergulharmos nesse mistério revelado, mistério este que acompanha toda a história da nossa salvação.

              Começamos pelo livro de Provérbios, a leitura que falou a respeito da sabedoria que sempre habitou a história humana. O livro dos Provérbios é um livro do antigo testamento, e há aqui um pré-anúncio do modo como que veríamos a Deus, ou, como encontraríamos em Jesus Cristo, um refúgio seguro.  O texto dos Provérbios nos fala da sabedoria que habita a criação, e é belo o texto, valeria uma releitura de tudo o que ouvimos, mas basta pensarmos em tudo o que Deus criou.

             Há uma imagem perfeita que nos acompanha nesta obra da criação. Tudo proveniente do nosso Deus, daquele que nos cria, como um Pai, que tem amor muito grande para com seus filhos. E essa imagem eterna acompanha toda a história da nossa salvação. O Pai que tem um amor tão grande pelo mundo, que cria o ser humano à sua imagem e semelhança e no auge da obra da renovação e salvação manda-nos seu próprio Filho.

            Partimos então para o evangelho, o belo texto nos fala a respeito do modo como Jesus explicava a seus discípulos que já estava chegando o momento da partida deste mundo. Poderia falar outras coisas, mas era preciso deixar-se mover pelo espírito da verdade, que os discípulos pudessem compreender melhor toda essa obra de salvação.

O capítulo que ouvimos hoje de São João, parte do capítulo dezesseis, Jesus ainda estava preparando seus discípulos para a sua morte, e consequentemente a sua ressurreição. Ele volta-se para seus discipulos dizendo: “tenho muitas coisas para dizer-vos, mas vocês são incapazes de compreender, mas quando vier o espírito da verdade, vocês hão de compreender”.

            Jesus então prepara o coração dos discípulos, embora eles não compreendessem, como muitas vezes também não compreendemos a totalidade da Revelação. Há uma íntima comunhão entre aquele que criou a humanidade e o Filho por que, muitas vezes, vemos Jesus muito íntimo do Pai, para justamente dar este caráter de comunhão, por que Deus é único.

               Nesta linguagem de Jesus falada por São João, é o próprio mistério trinitário que habita toda a humanidade, e se o Pai com sua obra de bondade realmente criou a humanidade, o Filho é aquele que redime a todos, e o Espírito Santo continua nesta obra, leva-nos a um verdadeiro processo de renovação. Por isso, dizemos que o Pai é aquele que cria, o Filho é aquele que redime, e o Espírito Santo nos santifica. É este mistério que celebramos neste dia.  

          Basta pensarmos um pouco em toda a trajetória cristã e neste sinal trinitário que nos acompanha, desde o momento em que fomos batizados em nome da trindade.  Também pensemos nos pais que ensinando aos filhos o sinal da cruz, estão possibilitando uma abertura para a graça.

          O sinal que fazemos não é mágico, mas um sinal profundo de que nos armamos e nos protegemos contra as ciladas do inimigo. Por isso é salutar cultivar este sinal. Quem não tem costume comece, a partir de hoje, ao entrar e sair da Igreja, genuflexão e sinal da cruz, e aqui no santuário inclusive temos água benta para recordar nosso batismo.  E se o batismo nos dá uma pertença a Deus pelo mistério trinitário, quantas vezes o invocamos nos momentos da celebração, pelo menos no início e no final.  Bela é aquela tradição familiar de fazer antes da refeição o sinal da cruz; ainda mais, o primeiro e último gesto que devíamos fazer ao acordar e antes de dormir: o sinal da cruz, e quantas vezes forem necessárias durante o dia.

            Outra tradição que muitos mantêm, ao passar por uma Igreja, lembrar-se de Deus, do mistério trinitário, fazendo o sinal da cruz. O Papa Francisco tem insistido em que deveríamos cuidar muito dos gestos que nos acompanham na Igreja, e até ensinou como fazer o sinal da cruz. Alguns nem sabem, usam a mão esquerda, mas é a direita, juntando os três dedos, lembrando a trindade, sobram dois dedos: humanidade e divindade de Jesus.

              Ao fazermos o sinal da cruz tocamos a cabeça, o peito, próximo do coração, os ombros, para que assim estejamos abertos para Deus. Por isso tocamos a cabeça, o cérebro, os afetos, os ombros.

            Um teólogo da preferência do Papa Bento XVI, e também do Francisco, chamado Romano Guardini, nascido no final do século XIX, escreve sobre os sinais que acompanham a liturgia: “fazer o sinal da cruz, significa a abertura da mente, do coração, e uma abertura da vontade”.  E se há uma abertura é para nos concentrar no que estamos a fazer, é por isso que fazemos este sinal no princípio e no final da liturgia, no início como sinal de concentração, no final como sinal de proteção.

            Concluamos com a carta de São Paulo aos Romanos: Deus já se revelou plenamente entre nós, mas Ele nos deu a certeza de enfrentar todas as tribulações e sofrimentos. Na segunda leitura: qual é fonte da nossa glorificação? Irmãos, é preciso que nos gloriemos, sejamos agradecidos pelas tribulações, aflições, mas Deus quer isso? Ele permite, para que levemos intensamente a nossa vida de fé.

             Irmãos, a tribulação gera a constância, ou seja, quando sofremos tribulações no mundo, o que fazemos? Buscamos o Senhor, aqueles que o buscam só em determinado momento da vida, precisarão aprender a buscá-lo constantemente.

            Não podemos ser cristãos que só buscam milagres, sinais extraordinários.  Há muitos cristãos assim, usam Deus como um comércio, preciso de alguma coisa, fazem uma promessa, se forem bem atendidos retribuem.

               Não é assim a nossa fé, a vida na trindade gera constância, tribulação gera constância, que gera virtude provada.  Somos provados em nossa virtude, e essa virtude gera esperança. Como temos esperança? Passando pela tribulação, a esperança não decepciona, pois, o amor de Deus foi derramado em nós pelo Espírito Santo.

              Portanto, tomemos essas palavras de São Paulo para que mergulhemos profundamente no mistério trinitário, peçamos a Santíssima Trindade que nos oriente sempre.

 

Escrito por: PE. MAURÍCIO