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Jo 14,23-29

23Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.

24Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou.

25Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco.

26Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.

27Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!

28Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu.

29E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais quando acontecerem.


HOMILIA NO VI DOMINGO DO TEMPO PASCAL

                 Com toda a Igreja celebramos o sexto domingo da páscoa e, já na perspectiva adotada na semana que passou de um modo muito constante de nos prepararmos para a vinda do Espírito Santo.  

               Esta vinda que celebraremos no dia de pentecostes, coroa todo o tempo pascal e, entre este domingo e pentecostes, domingo que vem, celebraremos a ascensão do Senhor, celebrada depois de 40 dias onde o Senhor esteve junto a seus discípulos se manifestando com o rosto de ressuscitado.

                O que poderíamos guardar das leituras que acabamos de ouvir, e na expectativa da vinda do Espírito Santo? Poderíamos começar pelo santo evangelho, de modo particular, encontrar um sentido muito profundo nas demais leituras proclamadas. Poderíamos, inclusive, começar nessa perspectiva da vinda do Espírito Santo, e da promessa de Jesus: “Eu vou para o Pai, mas não vos deixareis sós, vou enviar o Espírito Santo, o paráclito, o defensor”. Esta certeza inaugura um modo particular de estudarmos a força do Espírito Santo em nossas vidas.

             Se hoje estamos em pé, e temos a possibilidade de celebrarmos a eucaristia, é pela força do Espírito Santo, que habita em nós. Portanto, estamos aqui aprofundando um pouco melhor, o modo como Deus não abandona a história humana, mas a promessa se cumpre, pois, somos templos do Espírito Santo. Não precisamos celebrar pentecostes só na expectativa do Espírito Santo que virá, mas no Espírito Santo que habita em nós e já está em nossa vida.

             Se passamos pela ideia que é o Espírito Santo que nos habita, poderíamos agora pensar um pouco melhor, qual é a forma que o Espírito Santo permanece conosco.  A forma está numa plena participação na vida eclesial e nesta perspectiva partimos para a primeira leitura de hoje.  

Falamos um pouco a respeito da comunidade nascente do Espírito Santo, comunidade essa, anunciada a todos os confins do mundo pelos Apóstolos.  A primeira leitura narra um contexto bastante eclesial, comunitário, contexto da Igreja que nascia, ou o momento em que os discípulos do Senhor que foram enviados pelo mundo retornavam para Jerusalém.

             O texto que ouvimos trata do Concílio de Jerusalém, uma pequena assembleia reunida, considerada a primeira assembleia dos discípulos do Senhor, situada no ano 49 D.C. Houve esta assembleia num contexto de unidade, para resolver problemas que surgiram por causa da palavra que chegara aos ouvidos dos pagãos. 

           Era preciso passar pelo judaísmo antes de professarem a fé em Jesus? Essa questão provocou muita discussão levando Paulo e Barnabé a deixar os lugares onde passavam e voltando para Jerusalém se reuniram para resolver tal situação.  Pedro, tomando a palavra vai dizer: é preciso sim, darmos uma atenção aos pagãos, da mesma forma que as palavras foram dirigidas primeiro aos judeus, hoje chega aos pagãos. Daremos algumas orientações a eles, não vamos impor coisas maiores, a não ser absterem-se de carne sacrificada aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados, e de uniões ilegítimas.  A conclusão, portanto, deste concílio, dada por Pedro, também foi levada tanto aos pagãos em Antioquia, como aos outros, de forma que a partir de então, resolvida a situação, a Igreja se espalha pelo mundo sem essa perspectiva de que é preciso ser judeu primeiro, depois cristão.

            Se a palavra de Cristo anunciada nos nossos ouvidos, chegou ao nosso coração, não foi preciso a circuncisão ou um seguimento rígido da lei mosaica, mas sim uma adesão completa a Jesus Cristo. 

Isto nos faz lembrar que o Espírito Santo que habita em nós, também habita na Igreja, guiada pela força do Espírito do alto. Se hoje nos encontramos pertencentes à Igreja Católica, é por essa força e do Concílio de Jerusalém até o Concílio Vaticano II, temos uma história de um grande aprofundamento da fé.

            Muitos aqui devem ter vivido na década de 60 quando o Papa João XXIII convocou o último concílio, são 21 ao todo.  Na ocasião, o que queria a Igreja? Discutir como o evangelho chegaria ao ser humano na modernidade. Estamos há quase 60 anos depois do concílio e muitas das questões ainda não são concretas na Igreja. É preciso perceber quantas mudanças, se não tivesse o concílio nem estaria fazendo a celebração na língua vernácula. Foi graças ao concílio que temos essa possibilidade e assim compreendemos a dinamicidade da Igreja.

            Se na assembleia de Jerusalém eram alguns padres ou bispos que estavam reunidos o último concílio reuniu mais de 2.000 bispos ou padres conciliares. Hoje temos mais de 4.000 espalhados pelo mundo (e alguns dizem que a Igreja está diminuindo), de fato, em perspectiva de qualidade, é preciso qualificar os católicos, ou é católico ou não é, não existe católico não praticante. O princípio norteador é seguir o papa e este princípio estava desde o Concílio de Jerusalém. Embora infelizmente hajam divisões entre os cristãos, precisamos crer na força do espírito que congregará tudo e todos.

            Há pessoas que até se dizem mais católicos que o papa, há quem escreve contra o papa. Cremos ou não na força do espírito, na continuidade da Igreja?  Qual líder no mundo tem um significado tão grande, político ou religioso? Não há como duvidar da autoridade do Papa Francisco.

O texto da segunda leitura de hoje nos remete a um contexto escatológico, se o Espírito Santo nos conduz é para que um dia também tenhamos acesso ao céu.  Se vocês querem uma imagem do céu, leiam sobre a Jerusalém celeste, a imagem de uma cidade fundada sobre os doze apóstolos, aberta para os quatro cantos do mundo, de forma que todos tenham acesso. Leiam o apocalipse de São João.

            Mas há algo que identifica essa cidade, ela não tem templo, porque o templo é Deus.  Essa cidade nem precisa de sol, pois o Cristo é o Sol Nascente, nem precisa de lua. A visão do apocalipse é a visão da Jerusalém celeste para onde caminhamos, e é para lá que toda a força do espírito caminha para que pela força da fé todos encontrem a glorificação.

            O salmo de hoje, 66, exprime um grande desejo do coração de Cristo, que todas as nações vos glorifiquem, encontrem glorificação Nele. Assim, caminhamos abertos pela força do Espírito Santo para que, habitados por Ele, sejamos propagadores da verdade. Que essa força do Espírito que habita em nós nos impulsione cada vez mais a autenticidade cristã.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 26/05/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO