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Jo 13, 31-33 a 34-35

31Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele.

32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em breve.

33Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir.

34Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.

35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.


HOMILIA NO V DOMINGO DO TEMPO PASCAL

           É sempre motivo de júbilo poder celebrar a santa eucaristia e, ainda mais, quando celebramos no domingo, dia consagrado ao Senhor. Dia, por excelência, em que escutamos a palavra, refletimos sobre essa palavra e tendo-nos alimentados dela, também comungamos da presença real de Jesus na santa eucaristia.

               Nesse tempo da páscoa a liturgia se reveste de uma característica muito especial e de uma convocação a nós, cristãos. Acredito que muitos devem ter percebido pelo evangelho que acabamos de ouvir, que a temática central da liturgia deste final de semana é a prática do amor. Jesus, ao sair do cenáculo, volta-se a seus discípulos e fala da glorificação que aconteceria por sua morte e ressurreição e, impressionante o quanto Jesus usa de uma linguagem tão aproximada e tão afetuosa para com eles.

            Pela primeira vez aparece no evangelho de São João essa terminologia, ou um modo concreto de tratar seus discípulos, diz Jesus: “filhinhos”. Se existe uma relação tão aproximada entre um pai para com seu filho, ainda mais quando Jesus tomando a condição de um pai chama seus discípulos de “filhinhos”. E depois: eu vos dou um novo mandamento, amai-vos uns aos outros. Essa é a novidade cristã! Que não consiste só em práticas externas, mas interiormente transformados, as atitudes interiores estejam em consonância com o que faz.

            No final do evangelho, Jesus diz que é nisto que seus discípulos serão reconhecidos: se tiverem amor uns pelos outros. É impressionante perceber, seja na história primitiva da Igreja, ou no decorrer dos séculos os muitos discípulos que se identificaram a esta prática.

Se lermos os Atos dos Apóstolos, encontramos um momento em que eram reconhecidos os cristãos pela prática do amor. E se havia uma identificação com Cristo o segredo era a pertença a uma comunidade que vivia o amor. E no exemplo dos Atos dos Apóstolos, encontramos as comunidades gestadas a partir desta prática. Paulo e Barnabé encorajavam os outros para que permanecessem firmes na fé, naquelas comunidades que nasciam, que enfrentassem os sofrimentos.  E sabendo da caminhada  para o reino de Deus, e da vida nova, os apóstolos designavam para um melhor andamento na comunidade, presbíteros. Pela primeira vez aparece nos Atos dos Apóstolos este ministério que hoje eu exerço junto neste santuário, o ministério de ser presbítero.

            Quando falamos presbítero, é uma menção àqueles padres que já tem uma boa experiência, ou são mais velhos no ministério. Acredito que não seja a minha condição! Mas enfim, os padres por essa condição, tornam-se pais de uma comunidade.  Por isso os Apóstolos designaram padres para essa função, e neste sentido que em cada paróquia existe um padre, para ajudar a compreendermos a nossa relação com Deus, de pai para com os filhos.

Embora não tenhamos pais tão perfeitos, talvez a imagem da maternidade e paternidade não está naqueles que nos geraram, mas no princípio que fomos criados, temos um Pai celeste perfeito.

            Quem dera que nossos sacerdotes pudessem continuar nesta missão dada pelos apóstolos numa verdadeira relação de paternidade espiritual. Por isso um padre não é estéril no seu ministério, pois muitos são introduzidos na vida da Igreja por meio do batismo e, desta forma, a continuidade deste ministério tem sua importância na vida da Igreja.

            Existem pessoas que acham que amor é só um sentimento, e não é só sentimento! Santa Edith Stein, grande santa da Igreja, disse o seguinte: o amor não é um sentimento, o amor é uma escolha, uma decisão.  Realmente, é necessário escolher por Cristo todos os dias, e somos os escolhidos no tempo atual para sermos os discípulos do Senhor.

            Aqui no Santuário, se alguém viesse de fora e nos olhasse, será que diriam: estes vivem o mandamento do amor! Embora estejamos fragilizados pelo pecado, o esforço pelo amor torna-se importante para a vivência comum. 

Gandhi, certa vez disse: eu admiro o cristianismo, mas não admiro os cristãos.  Se não vivemos o amor não nos tornamos discípulos do Senhor.

            A nós é dada a possibilidade de uma renovação todos os domingos, permanecermos diante do cordeiro imolado, e pela própria celebração até em nós lágrimas que vem são enxugadas por Deus, na certeza de estar na presença do ressuscitado. É a presença de uma novidade instaurada em nós, e uma unidade com quem partiu deste mundo.

            Na semana que passou uma brasileira foi reconhecida pelo Papa Francisco como santa, logo será colocada a veneração esta que se santificou, Irmã Dulce.  Quantos vivenciaram a prática do amor desta mulher, e se madre Tereza de Calcutá se santificou por obras, no Brasil, o exemplo de Irmã Dulce é de alguém que se santificou pelo amor.

Nos exemplos dos primeiros discípulos aos atuais deveríamos pensar que há muitos na comunidade que se esforçam, escolheram viver a prática e amor a Jesus Cristo.

            Como pai espiritual lhes digo: é necessário praticarmos o amor, para vivenciarmos a presença do Cristo ressuscitado.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 19/05/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO