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Jo 8,1-11

1Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras.

2Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar.

3Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério.

4Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério.

5Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso?

6Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra.

7Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.

8Inclinando-se novamente, escrevia na terra.

9A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele.

10Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?

11Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.


HOMILIA NO V DOMINGO DA QUARESMA

                Queridos irmãos e irmãs, estamos nos aproximando da celebração central da nossa fé. Daqui a alguns dias entraremos no espírito da semana santa e, consequentemente, estaremos celebrando o tríduo pascal. A partir desta constatação, a Igreja neste  quinto domingo da quaresma nos oferece uma oportunidade ímpar, singular, de nos prepararmos para este momento de grandes celebrações alusivas a paixão, morte e ressurreição do Senhor. Evidentemente são celebrações vividas na história, mas se atualizam em nós, cristãos, que queremos e nos esforçamos para estar perto de Jesus.

                    A partir disso, os textos bíblicos deste final de semana nos oferecem uma reflexão oportuna a respeito deste grande dom que brota do coração de Deus, a misericórdia. O texto do evangelho é de São João, evangelista que mais será lido a partir desta semana e no tempo pascal. São João narra, no capítulo oitavo, o encontro entre Jesus e a mulher surpreendida em flagrante adultério. Este encontro de Jesus se dá por intervenção dos mestres da lei e fariseus que não estavam preocupados em cumprir a lei do livro do levítico que diz que, surpreendidos o homem ou a mulher em adultério deveriam ser apedrejados em praça pública. Mas a preocupação destes mestres da lei e dos fariseus estava em encontrar um motivo de condenação a Jesus. E se Jesus então dissesse que não era permitido fazer isso em praça pública estaria indo contra a lei, pois o livro do levítico prescrevia o que estava por acontecer, e Jesus nessa emboscada, não tem para onde sair, o que faz? Na verdade, diz o texto bíblico que existe uma inversão até de imagem, pois num primeiro momento há uma imagem central que ocupa o lugar no capítulo oitavo, a mulher pecadora surpreendida em adultério, mas, com uma frase, Jesus faz uma inversão da imagem central do texto.

                  Quando Jesus se ergue depois de escrever no chão, e não se sabe o que estava escrevendo, se volta para aqueles que estavam ao redor e esperavam uma resposta,  diz: quem dentre vós não tem nenhum pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra. Com esta frase, Jesus faz a inversão que será sempre necessária para nós, que acontecerá quando tiramos a condição de condenação de um pecador e voltamos o olhar para nós mesmos. Então pouco a pouco um a um foram saindo, a começar pelos mais velhos e sabem por quê? Talvez pela condição da consciência do pecado, quanto mais crescemos na nossa vida de fé e somos então nessa condição considerados os mais velhos, a consciência tende a aumentar.

                  Dentro deste contexto, um a um foram se retirando, e quem restou? A mulher e Jesus.   Jesus então se levanta e diz: mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ninguém, Senhor. Então Eu também não te condeno, podes ir, e agora em diante é dada a você a misericórdia, não peques mais. 

                 De fato, Jesus faz com que esta mulher experimente este grande dom do perdão, o dom da misericórdia. Santo Agostinho, grande padre da Igreja, quando comenta este texto bíblico afirma que só restavam ali duas coisas: a miserável e a misericórdia, e as duas palavras tem a mesma raiz.  É justamente sentir o coração de Deus na história, e se aparece a miserável, só pode-se experimentar o dom da misericórdia.

               Só quem reconhece essa condição está em condições de procurar o sacramento da reconciliação. Neste texto bíblico encontramos um teor para sermos estimulados a buscar o perdão de Deus.  Ainda temos uma semana em que as paróquias possibilitam experimentar o perdão de Deus, pois não podemos celebrar a páscoa deste ano sem uma profunda confissão.  Confessar significa reconhecer nossa miserabilidade, nossos pecados, nossa condição de estarmos muitas vezes voltados para o mundo, mas ao mesmo tempo reconhecer que Deus é bondoso, que sempre está pronto para nos abraçar e perdoar.

                   Deus, na história da salvação, sempre estará nessa condição, de não ficar olhando aquilo que já passou.  O texto do profeta Isaías na primeira leitura de hoje nos fala justamente disso, quando experimentamos a misericórdia não precisamos ficar relembrando coisas passadas, “Não olheis para os fatos antigos, está surgindo entre vós coisas novas”. E coisas novas a partir do experimentar a misericórdia como dom de Deus. Os pecados ficam para trás, quando confessamos temos vida nova a nossa disposição.

                    Por isso, São Paulo relata aos Filipenses, na segunda leitura, essa mesma condição, fala que conheceu o Cristo por que na verdade já foi alcançado por Ele. Mas é necessário olhar para frente. Ele afirma: “uma coisa, porém eu faço: esquecendo o que fica para trás (pecado) eu me lanço para frente e busco coisas novas, eu corro direto para a meta em direção ao prêmio, que vem em Cristo Jesus”. 

                    Por isso será uma excelente oportunidade de disciplinarmos o nosso corpo e corrermos ao encontro desse prêmio que é o Senhor. Se muitas vezes temos a oportunidade de exercitar o corpo físico, a quaresma será para nós um bom exercício espiritual, pois temos a certeza que nos lançamos para o futuro, para a meta que Cristo alcançou por meio da sua paixão, morte e ressurreição.

                    Mas é tempo ainda de voltarmos o coração para Deus, não tenhamos medo de confessar nossos pecados.  Onde maior é o pecado, maior a condição de experimentar a graça da misericórdia.

                    E, como esta mulher, pode ouvir do Senhor: de agora em diante não peques mais, também podemos ouvir do sacerdote: eu te absolvo dos seus pecados, vá em paz, que significa ter experimentado a misericórdia. Se fizermos isso temos que estender um ato de louvor a Deus e o texto do salmo responsorial serve para compreender a posição de Deus, por que Ele realiza maravilhas em nós que nos abrimos para a graça.  Por isso cantamos muitas vezes: é preciso exultar de alegria, pois o Senhor fez maravilhas, pelo mistério da paixão, morte e ressurreição.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 07/04/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO