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Lc 13,1-9

1Neste mesmo tempo contavam alguns o que tinha acontecido a certos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios.

2Jesus toma a palavra e lhes pergunta: Pensais vós que estes galileus foram maiores pecadores do que todos os outros galileus, por terem sido tratados desse modo?

3Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.

4Ou cuidais que aqueles dezoito homens, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os demais habitantes de Jerusalém?

5Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.

6Disse-lhes também esta comparação: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou.

7Disse ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno?

8Mas o viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo.

9Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás.


HOMILIA DO III DOMINGO DA QUARESMA

O tempo quaresmal que estamos vivendo, em preparação para a páscoa, é marcado por uma única palavra: conversão. Hoje, a liturgia da palavra além de nos chamar à atenção para um processo de conversão, processo pessoal vivido, mostra-nos o modo como esse processo está situado junto a uma comunidade. Dependendo da decisão própria que cada um toma de buscar o Senhor, de se encontrar em comunidade, é por este meio e, pelo processo comunitário, que acontece um verdadeiro processo de renovação.

            Como perceber todo esse processo ao longo das leituras hoje proclamadas? Em primeiro lugar percebemos a grandiosidade do chamado que Deus faz à comunidade de Israel, que estava vivendo junto a Moisés.  A vocação deste que, na primeira leitura, foi apresentada, não é uma vocação individual, pois o chamado feito a Moisés só tem sentido porque foi um sinal junto à comunidade de Israel.

            E qual foi o sinal que Deus providenciou a Moisés? A sarça ardente, ou seja, uma plena revelação do seu rosto, e um convite para que Moisés experimentasse naquele lugar, que não estava sozinho neste mundo, estava com Deus. Ao sair pudesse experimentar o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, e mesmo não tendo visto, pois ele cobriu, a partir desta experiência de fé, do ponto de vista comunitário Moisés torna-se um sinal nesta comunidade nascente, comunidade esta que já estava penada no coração de Deus.  Desde o momento em que Deus escolhe um povo para que por meio dele haja a salvação de toda a humanidade, a salvação se dá por meio de Moisés que está à frente indicando o caminho, pois foi ele que indicou a saída da escravidão rumo à terra prometida.

            Que bela experiência Moisés dá de vivência comunitária!  De um ponto de vista pessoal sim, mas denotando um caráter comunitário, seguindo outra característica que nos ajuda a compreender a dimensão da conversão e da mudança de vida, encontra-se na segunda carta aos Coríntios.  Para nós, hoje, a Igreja é uma comunidade onde somos convidados a conversão, e cada um faz seu processo de forma pessoal, mas sempre em interação com os outros, ou seja, sempre estamos num processo contínuo de conversão. E sempre estamos ajudando os outros para que façam este mesmo processo, então, São Paulo diz: irmãos, não é possível que continuemos em comunidade ignorando aquilo que já aconteceu.

            O modo como nossos pais passaram ou estiveram debaixo da nuvem, o modo como eles passaram no mar, o modo como foram batizados em Moisés, sobre a nuvem e sobre o mar, o modo como nossos pais já foram alimentados, beberam da bebida espiritual, tinham água de um rochedo que se chama Cristo, não possível ignorar.  E a pertença à Igreja está justamente na pertença a Cristo, não nos pertencemos, não estamos neste mundo porque somos donos da vida, pertencemos a Cristo.  Pertença a Cristo se dá na ação comum, o modo como participamos ativamente deste corpo eclesial que hoje chamamos Igreja.

            Outra dimensão de pertença a Igreja está no meio como acontecem diversas situações no mundo, pois a Igreja também está permeada de algumas situações que são sinais para nós, sinais de voltar o coração mais para Deus.  No evangelho, o texto de Lucas narra o momento em que alguns chegam para Jesus e começaram a contar o que estava acontecendo naqueles dias.  Contaram por exemplo dos Galileus que Pilatos tinha mandado matar, também de outras situações que estavam acontecendo e Jesus aproveita a situação para admoestar cada um.  Mostra-lhes que estes acontecimentos trágicos que estavam acompanhando no seu tempo eram sinais de conversão, pois havia uma mentalidade que quando acontecia uma tragédia, estes eram mais pecadores dos que permaneceram.

            Imaginem se existe essa mentalidade no nosso tempo? Imaginem o próprio Cristo hoje e nós contando a Ele a situação do nosso país nos três primeiros meses de 2019, quantos acontecimentos trágicos e assassinatos que aconteceram. E acontecem por culpa de alguém? Acontecem porque estes são mais fracos, mais pecadores que os outros? Jesus responderia: eu vos digo que não, mas se vocês não se converterem irão morrer todos do mesmo modo.  Pois muitos estavam nas mesmas condições da comunidade de Corinto, reclamando de tudo, dizendo que as coisas más estavam sendo devidas por alguns que não acreditavam na força do bem. Jesus vem chamar atenção da comunidade e da Igreja, que é preciso sim mudar de vida, converter-se, pois se não a morte será um fim.

            Agora, se há um processo de conversão, de mudança de vida, surge uma bela imagem do que é ser Igreja, do que é ser comunidade, a imagem de uma figueira.  Na parábola hoje contada, a figueira quer produzir frutos, uma figueira que o Senhor quer encontrar produzindo, para que não aconteça como na parábola: o vinhateiro chegar para o senhor e dizer: esta vinha já não produz nada, já faz três anos que não dá fruto nenhum, o que é melhor? Cortar e plantar outra? E o Senhor vai dizer: não, espera, vamos cuidar desta vinha, vamos colocar um pouco de adubo a seu redor, pode ser que a partir de agora comece a dar frutos.

            Queridos irmãos e irmãs, somos a vinha do Senhor ou figueira do Senhor, somos a Igreja do Senhor, agora, perguntemos: que frutos estamos produzindo neste mundo? Que sementes estamos lançando e que permanecerão neste mundo? Se forem sementes de murmúrio e reclamação, é isso que vai ficar, se forem sementes de fé, com certeza ficará, se forem do bem, mais ainda, e vejam, o mais importante não está na colheita feita, o mais importante são as sementes lançadas. Tenho certeza de que cada um a seu modo, junto àqueles que nos ajudam a ser comunidade, há muitas sementes a serem lançadas.

            Tomando o exemplo hoje da celebração desses 13 anos do Leão de Judá, quantas sementes lançadas junto a esta comunidade, estamos colhendo estas sementes? Talvez não, ou sim, fico a pensar em quantas pessoas já passaram por aqui, quantas sementes lançadas, que hoje colhemos, mas que brotarão como sementes novas, com galhos novos e permanecerão em constante inovação.

            Isso é ser Igreja, isso é ser comunidade, e especialmente neste tempo de quaresma é hora de sermos sacudidos na fé.  Não podemos fazer um processo individualista, a conversão acontece na Igreja, e como é bonito perceber o processo constante, das mudanças de uma pessoa que começa a participar de uma parcela do povo de Deus, de uma comunidade.  E como é bonito perceber os frutos que permanecem! Estamos celebrando dois sétimos dias de pessoas que tiveram uma bela experiência de fé, perseveraram até o fim, cumpriram sua missão. Hoje pela tarde alguns da comunidade participaram da despedida da Bia, deixaram muitos testemunhos, além das flores, o melhor gesto foi as pessoas que lá estavam.  Pessoas que ela conheceu na Igreja, o melhor presente com certeza para a família, sementes foram lançadas.

            Não deixemos para amanhã a conversão, não sabemos quando o Senhor nos chamará, talvez seja essa noite, a conversão é agora, a mudança de vida começa neste período quaresmal.  Não sabemos se iremos terminar a quaresma, para estes nossos irmãos já anteciparam a páscoa, não padecem nenhum tipo de sofrimento, nem precisam mais de quaresma. Precisamos enquanto aqui peregrinarmos, é tempo de conversão, de mudança de vida, é tempo de ser Igreja!

Escrito por: PE. MAURÍCIO