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Lc 9, 28-36

28Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar.

29Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.

30E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias,

31que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém.

32Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia.

33Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!... Ele não sabia o que dizia.

34Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor.

35Então da nuvem saiu uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o!

36E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto.


HOMILIA NO II DOMINGO DA QUARESMA

Há poucos dias iniciávamos uma caminhada para a páscoa deste ano e, aqueles que participaram da missa na última quarta-feira às 19h00, praticamente todo o tempo da celebração estavam na penumbra, na escuridão, somente com a luz das velas. Assim pudemos iniciar este tempo, naquela condição de sair das trevas e ir ao encontro da luz.

É impressionante a forma como Deus vai providenciando sinais, quem sabe este é um grande sinal, pois à medida que nos confrontamos com a escuridão, com as trevas, e não nos acostumamos com essa situação, logo precisamos caminhar para a luz.

Qual é a luz verdadeira que buscamos? É a luz de Cristo, aquele que ressuscitou, venceu a morte. Por isso, o sinal da luz que nos acompanha no tempo pascal e a partir da vigília da páscoa, será uma grande vela, chamado círio pascal, porque a partir de então temos a luz.

Ao longo destes 40 dias veremos uma caminhada marcada com penitência, com orações profundas, como uma verdadeira renovação.  Quantos de nós pensamos nesta quaresma celebrada como um grande remédio de purificação? Quantos ainda estão aguardando este tempo tão proveitoso na Igreja, tão proveitoso para nós? E quantos ainda poderiam pensar que, a partir da liturgia que celebramos, iniciaremos um novo tempo, quem sabe começando um pouco atrasado.

E logo no início desses dias da quaresma, a Igreja propõe no primeiro domingo, textos que identificam um modo como Jesus enfrentou, durante este tempo de 40 dias no deserto, o tentador, o diabo. Deixa-se claro que à medida que começamos a sair do mundo das trevas em busca da luz, logo perceberemos muitas tentações que virão, e a força maligna que infelizmente está em nós pelo pecado.

O demônio tentou Jesus nestes 40 dias, especialmente nestas condições, raízes de todas as tentações, do ter, do poder e do prazer. Se temos as raízes do mal, também poderemos pensar em encontrar uma raiz do bem, pois não há apenas uma semente para fazer o mal, mas a principal semente que está em nosso coração é do bem e esta semente chama-se fé.  

Esta semente recebemos no dia em que fomos batizados, por isso o texto da segunda leitura de hoje nos fala que a palavra está sempre ao nosso alcance, está perto de ti, na tua boca e no teu coração. Se a palavra está perto de ti, palavra de fé que pregamos, esta palavra passa pela convicção de fé: “se pois confessares Jesus como Senhor, e no seu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, será salvo”.

Passa-se então por uma condição essencial, que faremos daqui a pouco, na profissão de fé, mas terá um caráter importante na vigília pascal, a renovação do nosso batismo. No domingo fazemos a renovação de fé pelo creio, no dia da vigília pascal nos será dado possibilidade de responder o creio em Jesus, na Igreja, no Espírito Santo, que se passará pela boca e virá do coração.  

Ninguém vem ao encontro com o Senhor na eucaristia porque está contente com o mundo das trevas. Ninguém quer participar da missa ou fazer uma caminhada quaresmal porque quer ficar no pecado.  Pelo contrário, ao menos uma faísca de luz há no coração humano, e mesmo que seja tão pequena e, às vezes, quase apagada, esta semente de fé que recebemos se tornará uma grande chama, quando o coração se abrir ao Cristo ressuscitado.

É desta forma, queridos irmãos e irmãs, que gostaria de convidá-los ou quem sabe até convocá-los para que neste tempo da quaresma tenhamos presente este ensinamento de uma fé já proclamada. Fé que recebemos no batismo, mas que passa pelo nosso coração e, se tivermos ocasiões de tropeço, perceberemos também que a força e a grandeza da fé em Jesus, na plenitude do espírito que está em nós e será a força necessária para sairmos desta condição.

Há um segredo que Jesus revelou no seu evangelho, e a partir deste segredo perceberemos como foi vencida a força maligna.  Diz o texto de Lucas que Jesus estava cheio do Espírito Santo. O segredo está que quando experimentamos os dons do Espírito Santo em nós, experimentamos tantas vezes, temos uma força grande para enfrentar o tentador. 

Mas em algumas ocasiões é preciso perceber que mesmo guiados pelo espírito, o tentador aparecerá, de forma a nos enganar, e às vezes nos engana facilmente.  Nem precisa muito como fez com o Senhor, às vezes, o demônio, nas suas artimanhas nos engana tão fácil que perdemos a fé e permanecemos na escuridão.  

Se assim acontece, logo perceberemos que este não é o sentido da história humana, pois fomos criados para a luz e, hoje, por meio deste primeiro domingo, somos convidados e convocados a intensificar a nossa oração.

Naquele momento em que dizemos na oração do Pai Nosso: “não nos deixe cair em tentação mas livra-nos do mal” tenhamos bem presente estes ensinamento e estes pedido que fazemos.

Que o Senhor nos liberte do mal para que assim percebamos que somos luzes neste mundo, e que a palavra de Deus hoje tenha direcionado nosso coração para vivermos intensamente este tempo que antecede a páscoa do Senhor.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 10:30h do dia 14/03/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO