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1Cor 15,45-49

45Como está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gn 2,7); o segundo Adão é espírito vivificante.

46Mas não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois.

47O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o segundo veio do céu.

48Qual o homem terreno, tais os homens terrenos; e qual o homem celestial, tais os homens celestiais.

49Assim como reproduzimos em nós as feições do homem terreno, precisamos reproduzir as feições do homem celestial.


HOMILIA NO VII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Em comunhão com toda a Igreja, celebramos neste final de semana o sétimo domingo do tempo comum. Estamos quase encerrando esta primeira parte deste tempo, cedendo depois um espaço para o início do tempo quaresmal, em preparação para a páscoa deste ano.

Aproveitando a ocasião de celebrarmos a palavra de Deus proclamada em toda a Igreja, temos a oportunidade ímpar de nos aprofundar no mistério proclamado e, ao mesmo tempo, perceber a grandeza desse mistério revelado em Jesus Cristo.

Se ouvimos mais atentos esses textos que nos foram hoje propostos pela Igreja, logo percebemos que se tratam de textos essenciais para a existência do cristianismo, para a nossa vivência cristã. Trata-se de textos não só como na forma de proposta para se viver melhor, mas trata-se de textos essenciais para que possamos nos desenvolver enquanto pessoa humana.

            Se na semana passada tínhamos a oportunidade de escutar na versão de Lucas o evangelho das bem-aventuranças, nessa continuidade, o próprio Jesus explica como viver o espírito dos bem-aventurados, e a explicação de Jesus é bem evidente, perpassa inclusive nessa condição em que somos convidados a amar todas as pessoas de igual modo.

            E se queremos realmente viver esse espírito dos bem-aventurados, procurando a face do Senhor, não há outro meio senão quando logo percebemos na haste horizontal da cruz, e seguimos o modo como precisamos amar sem medidas.

Amar até nas últimas consequências, amar inclusive os inimigos. Por isso, eis a grande novidade trazida por Jesus, e eis o grande desafio para nós cristãos, porque não só somos convidados pela palavra a devolver o bem que nos foi feito, mas somos convidados pela palavra a devolver o bem mesmo que alguém queira o mal, ou tenha feito o mal.

            A forma concreta de percebermos o amor aos inimigos será uma dimensão muito importante por nós cristãos. O que almejamos viver, a dimensão do perdão, que é um ato sublime, vem do coração de Deus, e só Ele realmente pode perdoar; mas quando nós enquanto pessoa humana, experimentamos essa graça de perdoar alguém que nos ofende, experimentamos um pedaço do céu. É como se tivéssemos a oportunidade de sentir o quanto Deus é benevolente.

            Aqui percebemos que na dimensão do amor aos inimigos passamos pelo perdão, percebemos também que essa dimensão é uma obra humana. Nós, enquanto pessoas humanas, para viver de modo integral e viver na perfeição, passaremos por essa dimensão, e faremos bem a nós mesmos, libertando alguém que se encontra prisioneiro de nós mesmos. 

Quando alguém nos deseja o mal, nos magoa, e ainda, quando levanta calúnia, em forma de perseguição, Jesus vem dizer: perdoe, ame, até as últimas consequências, inclusive o amor àqueles que não estão fazendo o bem aqui no mundo.

            Um exemplo concreto do antigo testamento, de amor pelos inimigos, encontra-se na primeira leitura de hoje. Acredito que, escutando uma única vez esse texto, provavelmente guardamos poucos elementos, mas se agora prestarmos atenção no que foi falado, perceberemos como Deus providencia na história da salvação, momentos em que as pessoas que estão numa história de vida voltada para Deus, aprendem a perdoar.

            O exemplo tomado do livro de Samuel é de dois reis, o rei Davi, e do rei Saul, que perseguia Davi, e perseguia de tal forma que estava a fim de destruir Davi e o reinado dele.

Deus providencia que a tropa do rei Saul seja tomada por um sono profundo, possibilitando que o rei Davi passe e percebendo que eles estavam dormindo houve a oportunidade de matar o seu grande inimigo.

O que Davi faz diante de um inimigo? Poderia matar o rei Saul e toda a tropa, e ele diz: “quem sou eu para levantar as mãos contra um ungido do Senhor”.

            É impressionante este exemplo, porque nos faz pensar que na nossa dimensão de inimizades e inimigos que temos neste mundo: se tivéssemos a oportunidade de estar diante de alguém que nos faz tanto mal, será que teríamos a perspicácia do rei Davi? Que não é dono da vida, e nem matou seu inimigo, mas, agiu com misericórdia, porque a vida pertence a Deus.

Vejam: diante de homens e mulheres do nosso tempo, e temos muitos tomados pela condição do mal, o que faríamos diante dessas situações? Mataríamos? Seriamos propensos à violência? Seriamos propensos a uma arma para destruí-los? Não foi esse o gesto de Davi, e vejam: jamais seria um gesto feito por Jesus. O próprio Cristo esteve diante daqueles que precisavam de vida nova, esteve em lugares que na sua época causava até grande escândalo, esteve na casa do grande pecador Mateus, Levi cobrador de impostos, corrupto da época; mas lá estava, pois queriam que este homem experimentasse a misericórdia e o dom do perdão. É assim que Deus trata a todos, e cabe a Ele, justo e misericordioso, a condição de julgar.

Há uma dimensão a partir das leituras que ouvimos, possível de identificar pela segunda leitura a condição que carregamos, do maligno, ou como São Paulo diz, as condições do homem terrestre, que é o primeiro Adão, propenso para o pecado.

Mas, em contraposição, e para fazermos o bem, temos outra imagem, não de Adão, mas de Cristo, que é a imagem do homem espiritual, em contraposição ao homem terrestre. 

O ser humano, que carrega a condição de fazer o mal, só encontrará a condição de fazer o bem inspirando-se em Cristo. Ele nunca cansou de fazer o bem, e somos convidados como seus discípulos a jamais cansar, e inclusive a fazer o bem para aqueles que nos querem o mal.

Eis realmente uma resposta concreta do evangelho de Jesus Cristo, não se trata aqui de uma proposta qualquer, mas da essência da nossa vida: sempre fazer o bem. 

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 24/02/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO