LITURGIA NOTÍCIAS DA IGREJA SANTUÁRIO O PÁROCO APOSTOLADO DA ORAÇÃO PASTORAIS DIZIMISTAS ARQUIDIOCESE DE CURITIBA LITURGIA DOMINICAL EVENTOS MENSAGEM DO PAPA


Lc 6,17-26

17Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades.

18E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.

19Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos.

20Então ele ergueu os olhos para os seus discípulos e disse: Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!

21Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis fartos! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque vos alegrareis!

22Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por causa do Filho do Homem!

23Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu. Era assim que os pais deles tratavam os profetas.

24Mas ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação!

25Ai de vós, que estais fartos, porque vireis a ter fome! Ai de vós, que agora rides, porque gemereis e chorareis!

26Ai de vós, quando vos louvarem os homens, porque assim faziam os pais deles aos falsos profetas!


HOMILIA NO VI DOMINGO DO TEMPO COMUM

HOMILIA DO VI DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

É possível para nós, ao longo da liturgia celebrada, percebermos que há sempre uma indicativa para que vivamos no caminho do bem, em combate a tudo que também, infelizmente, está no nosso coração, e nos leva para o caminho do mal.

E hoje, com a liturgia da palavra, esses dois caminhos tornam-se bem evidentes. Se tivermos dificuldades de compreensão dos textos bíblicos que acabamos de ouvir, a ideia da homilia consiste em tornar os textos mais próximos de tudo aquilo que celebramos.  É dentro deste contexto que vislumbramos este caminhar, tanto para o bem, quanto para o mal. Como podemos perceber no evangelho e, especialmente na primeira leitura, fazendo um paralelo entre esses dois textos, começaremos por aquilo que realmente é bem positivo.

Quando no evangelho, Jesus depois de descer do monte e diante de seus discípulos começa a ensinar-lhes, fazendo uma alusão àquele momento que Moisés desceu do monte Sinai e ao povo de Israel deu as tábuas da lei, o que Ele faz? Desce do monte, e diante dessas pessoas, seus discípulos e uma grande multidão, começa a ensinar. 

Trata-se aqui de um caminho para a felicidade, trata-se do caminho para o bem e, no evangelho de Lucas, narra quatro bem-aventuranças.  No evangelho de Mateus depois encontraremos outras quatro bem-aventuranças, completando oito bem-aventuranças bíblicas. 

Mas especialmente para Lucas, o evangelho que nos foi narrado neste dia, indica-se o modo como os discípulos deveriam ser verdadeiros seguidores de Jesus.  O próprio Senhor trata desta forma, bem-aventurados, ou, felizes aqueles, os pobres, os que têm fome, os que choram, e também aqueles que muitas vezes são perseguidos e odiados.

Se encontramos então um caminho para a felicidade e para o bem, da mesma forma, encontraremos na primeira leitura o mesmo caminho. Mas perceberam a diferença dos dois textos: no evangelho, Jesus começa falando do grupo dos bem-aventurados, e depois do outro grupo que daqui a pouco falaremos; e na primeira leitura, Jeremias faz o contrário, começa falando do caminho do mal, e na segunda parte, vai chamar de bendito aquele homem que realmente confia no Senhor.

Que bela imagem podemos levar desta primeira leitura na segunda parte, quando Jeremias demonstra que o caminho do bem, o caminho da bênção, é daquele que confia no Senhor, tem sua esperança no Senhor. Este é como a árvore plantada junto às águas, este, na verdade, toma as suas raízes e pelas suas raízes busca a umidade, este é bendito, não tem o que temer, mesmo o calor, mesmo os ventos, não há tempo de seca, pois este está no caminho de dar frutos. Bem-aventurados os pobres, os que passam fome, que choram, e são perseguidos, bendito o homem que encontra na sua vida, sentido no Senhor.

Mas, em contraposição, eis que encontramos no evangelho de Lucas, um dos textos mais severos, e palavras que Jesus disse a seus discípulos, colocadas de maneira bastante firme.  O evangelista faz questão de falar do grupo daqueles que são tratados por Jesus como os: “ai de vós”. Quatro vezes aparece, ai de vós ricos, ai de vós que tem fartura, ai de vós que rides, ai de vós que só recebem elogios.

Vejam a imagem que aparece em contraposição àquela leitura onde o profeta Jeremias usa uma palavra muito forte. Não usa a expressão “ai de vós”, mas usa a expressão: “maldito”.  “Maldito o homem que confia em outro homem, e que tira sua força da carne humana, enquanto o coração se afasta do Senhor”. Estes, que estão no caminho do mal, são como cardos no deserto. Cardos é uma região sem nenhum tipo de vida. Não vê chegar nenhum tipo de floração, prefere ficar na secura do ermo, prefere ficar na sombra. Maldito é este homem, que escolheu ficar no caminho do próprio homem e que não é um caminho de salvação.

Portanto, irmãos e irmãs, a nós se apresentam duas alternativas, e se queremos realmente crescer na nossa vida de fé, a nossa escolha realmente perpassará pelo caminho das bem-aventuranças.  

Claro que Deus nunca quer que alguém sofra pela miséria neste mundo, mas a riqueza e o acúmulo de bens, jamais levará o ser humano à perfeição.  É claro que Deus não quer o choro, a tristeza, mas, se pensarmos só em alegria na vida não estaremos no grupo dos bem-aventurados. É lógico que Deus também não quer que sejamos insultados, mas quem está no caminho de salvação, muitas vezes passará por provações, e por vezes não será compreendido. 

Há, portanto, uma grande alternativa a viver, o caminho das bem-aventuranças, e podemos encontrar, nestes poucos versículos que Lucas fala dos bem-aventurados, a essência da vida cristã.

Há alguns exegetas, estudiosos da sagrada escritura, que chegam a afirmar que se perdêssemos todos os textos bíblicos, e tivéssemos acesso às bem-aventuranças, não perderíamos nada.

Portanto, a nós é dado este caminho! Que saibamos escolher sempre por Deus, e diz o salmo que cantamos no dia de hoje: “é feliz quem a Deus se confia”.  Façamos o caminho do bem, façamos oposição com as virtudes a todos os vícios que nos levam ao caminho do mal. Desta forma viveremos a experiência do Cristo ressuscitado, do Cristo vivo, oposição à morte, o Cristo que ressuscitou e é razão da nossa vida.  E diz São Paulo: se não cremos na ressurreição dos mortos, vã é nossa fé. Se não cremos na ressurreição de Cristo, estamos perdendo tempo.

Na verdade, nós cremos na ressurreição, na vida, em Cristo ressuscitado, que uma vez por todas venceu o caminho do mal, o caminho do pecado.

Escrito por: PE. MAURÍCIO