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Lc 5,1-11

1Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus.

2Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -,

3subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo.

4Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.

5Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede.

6Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia.

7Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo.

8Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.

9É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito.

10O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens.

11E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.


HOMILIA DO V DOMINGO DO TEMPO COMUM

HOMILIA NO V DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

            Meus caros irmãos e irmãs, a liturgia deste final de semana, parte integrante do V domingo do tempo comum, é um grande convite para experimentarmos o dom de sermos chamados por Deus. Há um paralelo nas três leituras que ouvimos, tanto no profeta Isaías, quanto na primeira carta de São Paulo aos Coríntios e no evangelho de Lucas; mas também há um paralelo entre as três palavras que aparecem de forma quase que ordenada nas leituras, a grande Revelação de Deus, o chamado, e a missão.

            E se temos à nossa disposição três leituras para que assim possamos vivenciar este domingo, tomemos essas leituras como referências para bem compreendermos o que é o chamado de Deus.

Se pensarmos, por exemplo, no profeta Isaías na primeira leitura, percebemos num primeiro momento, uma grande revelação de Deus. Como alguns sabem, na teologia isso se chama teofania, que significa manifestação plena de Deus. E na descrição do profeta, essa manifestação se dá diante daquele que reconhece que tudo é dom de Deus, reconhece dizendo que está diante do santo dos santos.  Três vezes aparece essa expressão nessa manifestação: “santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos”, e diante da visão que teve Isaias, há também uma multidão de anjos e serafins, que aparecem porque ali estão na presença plena de Deus.

E se há uma presença de Deus, na glória do Senhor, o que acontece? Num primeiro momento Isaías reconhece a sua condição de pecador, inclusive se volta para o Senhor, e com essas palavras vai dizer: “eu sou apenas um homem com lábios impuros, mas eu vi com os meus olhos um rei”.

Percebamos o modo como o profeta Isaías, na primeira leitura, diante da presença de Deus, reconhece que é pecador, homem de lábios impuros, mas Deus por esta revelação, e por meio de um serafim, vai tocar os lábios do profeta Isaías.  Diz o texto que este foi tocado nos lábios e, por meio deste tocar do Senhor nos lábios desaparece toda a culpa, e o Senhor possibilita ao profeta uma vida nova.

O que resta então, diante de uma revelação, diante de um reconhecimento de que é fraco? Agora, basta colocar-se em missão, diz o profeta: “aqui estou, envia-me Senhor”.

Vejam que, na mesma forma, na segunda leitura que ouvimos, São Paulo, representando aqui o grupo dos apóstolos, diante de uma grande revelação, que é a vinda do filho de Deus, reconhece que essa revelação é plena e diz: quero transmitir o que ouvi, reconhecendo que o Cristo está vivo e ressuscitado.

Diante dessa revelação plena, Cristo vivo e ressuscitado, o apóstolo também reconhece: “eu sou o último dos apóstolos, nem mereço ter o nome de apóstolo, mas o Senhor me escolheu”, então, da mesma forma do profeta Isaias, “estou aqui, para anunciar a boa notícia”.

Chegamos ao santo evangelho, e de um modo impressionante, há também uma grande revelação de Deus. No primeiro momento, no antigo testamento, uma revelação em Isaías, manifestação do Cristo vivo e ressuscitado a São Paulo, agora, a revelação de Deus se dá em Jesus, num ensinamento, e diante de uma multidão, e diante daquele lugar tão importante para a missão de Cristo, o lugar onde Jesus se coloca junto daqueles que irá escolher, ensinando-os a pescar. 

Embora, Jesus tenha aprendido a arte da carpintaria, não sabia nada do que era pescar, no entanto, estava Ele numa das barcas escolhidas, a de Simão Pedro, sobe na barca e começa ensinar as multidões.

Percebam que a manifestação de Deus se dá agora no que chamamos Igreja. A Igreja é essa grande barca escolhida no princípio do evangelho de Lucas, e Jesus entra nessa barca e começa a ensinar as multidões, quando de repente o próprio Simão Pedro chega perto do Senhor, por que havia passado a noite toda numa pescaria inútil.

Então, o que Jesus faz? Diz a Simão Pedro, o primado de Pedro, princípio de unidade do apóstolo já está aqui estabelecido: “avança para águas mais profundas, lançai as vossas redes para a pesca”.

Como lançar a rede ao mar em pleno dia? Se sempre a pescaria melhor é à noite? Diz o texto de Lucas que Simão Pedro representando a Igreja, o chama no primeiro momento de mestre: “Mestre, trabalhamos a noite toda, e nada pescamos, mas, em atenção a tua palavra, vou lançar as redes”.  Percebam a decisão de Pedro: “por causa da tua palavra eu vou lançar as redes, vou buscar os peixes necessários”. Que bela imagem da Igreja, que bela imagem daquele que no princípio foi constituído como apóstolo e princípio unificador entre os homens.

E assim o fizeram, com a ajuda dos outros discípulos, apanharam tantos peixes que as redes se rompiam. Fizeram sinal aos companheiros das outras barcas, para que viessem ajudá-los, vieram, e havia peixes em abundância, assim como é a Igreja de Cristo!

Agora, reconhecendo que estava diante de um sinal extraordinário, isso é também uma teofania, manifestação plena de Deus, o que faz Simão Pedro? Atira-se aos pés de Jesus. Com um sentimento de alegria porque tinham muitos peixes? Não, com um sentimento de inutilidade, com um sentimento daquele que se reconhece pecador. E vejam que o modo de tratar Jesus muda, de “mestre, lançaremos “as redes”, agora vai dizer: “Senhor”. Quando usamos a terminologia para chamar a Jesus de Senhor, reconhecemos que estamos diante do Cristo ressuscitado. É Kyrios, o Senhor.

Mas Ele nem havia passado pela paixão, e Pedro já reconhece, é o “Senhor”! “Senhor, afasta de mim porque sou um pecador”. Percebam o paralelismo que existe com Isaías, “sou um homem impuro”, o paralelismo que existe com Paulo, “sou o menor dos apóstolos”, e Pedro,” eu sou um pecador”, pois o espanto se apoderara de Simão, e de todos aqueles que ali estavam.

Os outros discípulos também reconheceram que era o Senhor e ficaram espantados, e Jesus diz a Simão: “não tenhas medo”.  É como aquele anjo que foi tocar com a brasa os lábios de Isaías, Jesus toca em Pedro e diz: “não tenhas medo, de hoje em diante tu serás pescador de homens”.  É impressionante, pois da condição de pecador, o Senhor torna a condição de Pedro de pescador, ou seja, além da profissão que exercia agora a profissão é exercida na barca chamada Igreja.

É dentro deste contexto que somos chamados a viver intensamente esta grande manifestação de Deus na Igreja.  Aprenderemos hoje, por meio dessa liturgia, que é preciso também nos sentirmos protagonistas, ou seja, somos todos chamados à missão de lançar as redes, de escutar a palavra, de colocar-se a disposição de Cristo.  Esta não é tarefa para alguns, é tarefa para todos, e inclusive, estamos iniciando ainda um novo ano, pensemos um pouco nos trabalhos pastorais que acontecem neste santuário.

Você já pensou o que está fazendo pela sua comunidade que é a Igreja? Você já pensou em desenvolver a sua missão aqui nesta parcela do povo de Deus? Como catequista, ministro da comunhão, pertencente a um grupo de evangelização como a música, pastoral do dízimo, pastoral social, e tantas outras formas de participação.

Mas tenhamos clareza pois, alguns confundem este trabalho, e vem dizer: padre, estou aqui porque quero ser voluntário na Igreja! Na Igreja não existem voluntários, na Igreja existe missionário.  O voluntariado faz-se onde? Numa ONG, numa instituição e é um grande bem.  Agora, na Igreja, somos missionários, e se temos uma missão, precisamos abraçar, como Isaías, Paulo e Simão Pedro e outros discípulos o fizeram.

Mas padre, eu do jeito que sou, da maneira como estou, não me sinto preparado para nada. “É a mesma condição de todos esses protagonistas da sagrada escritura, todos se sentiam pequenos, mas como diz São Paulo na segunda leitura de hoje: “é pela graça de Deus que sou o que sou”.

Nós, enquanto missionários deste mundo, enquanto aqueles que abraçam uma causa, que é pertencer a Igreja, somos pela graça de Deus, não pelo esforço pessoal e nossas capacidades humanas, mas tudo é graça de Deus.

É impressionante, porque é possível como Simão Pedro, depois de reconhecer a condição, de que estava diante de um mestre, também reconhecer que estava diante do Senhor.  Muitos passam a vida inteira tendo Jesus como mestre, mas não o tem como Senhor.  Precisamos tê-lo como Senhor.

Santo Agostinho, em um de seus discursos diz o seguinte: houve um tempo de pesca grandiosa, antes da paixão do Senhor, (o texto que ouvimos), depois da paixão do Senhor e do Cristo ressuscitado há outra pesca milagrosa. E o que os evangelistas tem a nos dizer? Que de fato, a pescaria, ou, a Igreja em missão, está unida à paixão do Senhor, e também à sua ressurreição. Mas, se há uma abundância de peixes em ambas as pescarias, antes e depois, há também a separação dos peixes bons e peixes ruins, daqueles que viveram intensamente a missão na Igreja, e aqueles que não viveram tão intensamente esta missão.

Pensemos neste relato de Santo Agostinho, pois é assim que nos sentimos protagonistas, de sermos transformadores do mundo, da Igreja, de tudo que está ao nosso redor. Que Jesus nos ajude, e reconhecendo-o como Senhor especialmente na fração do pão, tenhamos a força de sermos verdadeiros missionários.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 10/02/2019. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO