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Lc 3, 10-18

10Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer?

11Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo.

12Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer?

13Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado.

14Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.

15Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo,

16ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.

17Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível.

18É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.


HOMILIA NO III DOMINGO DO ADVENTO

O tempo do advento que estamos vivendo possui uma dúplice característica: a expectativa está em torno da segunda vinda gloriosa de Jesus, e a partir deste domingo entramos na expectativa de celebrarmos a sua primeira vinda gloriosa, ou seja, a festa do natal.

Diante de tal expectativa, logo perceberemos que, nas primeiras semanas houve indicativas de ações muito concretas para nós como: vigilância na oração, preparação para o caminho do Senhor, e especificamente no terceiro domingo do advento somos convidados a uma grande ação: alegrai-vos sempre no Senhor, e diz inclusive a carta de São Paulo aos Filipenses, de novo eu vos digo: alegrai-vos, o Senhor está próximo.

Se percebermos esse sentimento da alegria, próprio do terceiro domingo do advento, nós precisamos também perceber onde está a fonte desta alegria. São João Batista quando ensinou as multidões também pode ser um referencial nos ensinando onde encontrar sentido de uma alegria verdadeira e quando as multidões perguntavam a João quando este estava batizando: o que devemos fazer? A resposta: em primeiro lugar, quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem, e quem tiver comida faça o mesmo. Ele está falando de uma virtude que cada um de nós precisa cultivar, a caridade, o amor para com o próximo.

Talvez, no tempo que agora vivemos e nestes nove dias que antecedem o natal do Senhor, muitos terão a oportunidade de estender as mãos, os braços e ajudar alguém. Este gesto é fundamental não só para o natal, mas para que constantemente nós tenhamos uma visão aberta da realidade que nos cerca e ajudemos aqueles que precisam com gestos concretos.

Um exemplo são as novenas de natal, um encontro com pessoas, visitas em asilos, em casas que acolhem pessoas de rua. Estes gestos concretos ajudam muito, proporciona alegria. Um olhar, um carinho para com aqueles que precisam, é uma alegria que não passa, e a caridade nos ajuda a transcendermos a nossa ação humana e já visualizarmos aqui na terra sinais da presença de Deus.

Mas o que mais podemos fazer que também é uma fonte de alegria? Aos cobradores de impostos João respondeu: não cobreis mais do que foi estabelecido, ou seja, na profissão que na época de Jesus, não era assim uma profissão tão honrosa, João indica-lhes que sejam justos. Então na nossa profissão que Deus nos deu, se formos justos, se nós realmente cobrarmos aquilo que é justo e necessário eu tenho certeza que esta é uma grande fonte de alegria. Poder encostar a cabeça a noite no travesseiro, descansar pois cumpriu bem sua missão no trabalho sendo justos com os funcionários que tem, ou sendo justo no trabalho, dá uma sensação de que realmente se cumpre uma missão, e esta alegria ninguém pode tirar.

Ainda, João volta-se para os soldados e responde: não tomeis a força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações, ficai satisfeitos com o vosso salário. É isso também que nós aprendemos a fazer, estar satisfeitos com aquilo que Deus nos concede. Um coração insatisfeito tantas vezes se prende a coisas materiais e ao invés de acolher alegria colhe angústia, sofrimento, porque tantas vezes nunca estará satisfeito com aquilo que recebe. Se temos uma fonte de uma verdadeira alegria, nós a encontramos no santo evangelho e  nessa expectativa de celebrar bem o nascimento do Senhor.

Há muitas famílias que, infelizmente celebrarão o natal do Senhor e esquecerão daquele que é o sentido verdadeiro do natal. Talvez nem farão referência a Jesus Cristo, lembrar-se-ão dos presentes que irão trocar, aparecerá outras figuras no dia do natal, mas esquecerão que Jesus está encarnado e depois ressuscitado por nós. Este é o sentido verdadeiro da alegria, por isso João declarou: eu hoje vos batizo com água, mas aquele que virá depois de mim vos batizará com o Espírito santo e com o fogo.

É o próprio Cristo, encarnado, morto e ressuscitado por todos nós. Logo perceberemos onde está a fonte da verdadeira alegria do natal: em Jesus Cristo, nesta pedra fundamental que nós temos e principalmente buscamos viver.

Já dizia o profeta Sofonias ou, aquele que foi atribuído essa parte do texto, atribuído a um discípulo de Sofonias, muito antes do nascimento de Jesus: é preciso cantar de alegria, rejubilar-se com o novo, alegrar-se de todo o coração, pois o Senhor está bem próximo.

Se entre nós realmente atendemos e cultivamos esse sentimento de alegria, há razão de júbilo sim pelo natal, há razão dos cantos natalinos, na verdadeira exultação dos corações. Agora, se em algumas ocasiões nós esquecemos o sentido principal do natal, logo perceberemos que uma angústia terá invadido o coração, e talvez muitos que não aprenderam a celebrar o sentido do natal, experimentarão uma tristeza muito grande depois das festas natalinas.

Agora, é preciso nestes nove dias que antecedem o natal mergulhar profundamente neste mistério, hoje (16/12) especificamente se começa uma novena de natal. Há pessoas que fizeram novena de natal o ano inteiro, algumas já estão até terminando, bem, tem a sua ajuda necessária, e talvez o nosso tempo nos assole de tal forma que veremos tudo de forma apressada, mas a Igreja é muito sábia, desde o princípio ela nos indica: agora é o momento, hoje começa a novena de natal, para nós chegarmos o dia 24 esperançosos.

Portanto, quem ainda não começou, é tempo de começar, inclusive nós nesta semana, na sexta-feira estaremos aqui celebrando com tantos grupos ou pessoas que puderam experimentar um tempo de oração, um tempo de convivência fraterna entre os vizinhos e um tempo de caridade. Eis o sentido de uma novena de natal: reunir as famílias que tantas vezes estão tão sozinhas. Rezar juntos para que sintamos o que é ser comunidade, mas também expressa a caridade fraterna na ajuda que podemos dar a aqueles que mais precisam.

Vivamos intensamente e com alegria este período do advento do Senhor, desta forma nos alegremos na fonte salvadora que é o Cristo e celebraremos bem o seu natal.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 16/12/2018. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO