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Jo 18,33-37

33Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?

34Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?

35Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?

36Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo.

37Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.


HOMILIA NA SOLENIDADE DE CRISTO REI

Ao findar o ano litúrgico para nós, um ano todo dedicado a um santo evangelista, São Marcos, celebramos neste dia uma solene liturgia, popularmente conhecida como a festa de Cristo Rei. Mas temos no conjunto desta celebração, uma festividade em que proclamamos para o mundo inteiro que Jesus Cristo é o Rei do Universo.

A origem da solenidade de hoje é bastante recente, se compararmos à história da Igreja Católica.  Foi no ano de 1925 que o Papa Pio XI, depois da primeira guerra mundial, pediu ao mundo que pudesse celebrar esta verdade de fé. E que verdade? Que Jesus é o centro do coração humano, que Jesus é o centro do universo.

Agora, como compreender esta solenidade, justamente situada no último domingo do tempo comum! Compreenderemos à medida que percebermos que, daqui há quatro semanas, estaremos celebrando a grande festa do nascimento de Jesus  e, hoje, antecipa-se a alegria do Natal. 

Estamos diante desta solenidade e aquilo que experimentaremos daqui a quatro semanas e com o tempo do advento, como expectativa pela vinda do Senhor, já experimentamos na festa de Cristo Rei.

Por isso há uma consonância com a solenidade de hoje e o dia do nascimento do Senhor. Ao celebrarmos e proclamarmos essa verdade de fé surge esse questionamento encontrado no evangelho de São João, um questionamento na resposta que o próprio Jesus dá a Pilatos, e é uma resposta também para nós, quando diz: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade”.

A própria vinda de Cristo está na história da humanidade para dar este testemunho e se, em várias situações, muitos reinados não chegaram ao seu fim, o reinado de Cristo é bem diferente dos outros do mundo. 

Há ocasiões no Antigo Testamento em que encontramos referências de reinos e de reis, como é o caso do reinado de Davi, contudo, mesmo este chegou ao seu fim. No reinado de Jesus, e Ele veio até nós para trazer outra dinâmica de entendimento do reino, a cruz do Senhor torna-se o seu trono, a sua coroa é uma coroa de espinhos, e o seu manto é o manto da simplicidade e da humildade. 

É neste contexto que aprendemos um pouco melhor o que estamos celebrando neste dia, estamos celebrando o reinado de Jesus nesta perspectiva.  Ele mesmo que, desde o princípio, já está na humanidade e no seio da criação, e  se apresenta a nós no Apocalipse como o Alfa e o Ômega, que são letras inicial e final do alfabeto grego, ou seja, como aquele que é princípio e fim.

A dinâmica apresentada por Jesus dessa visão que São João teve do Apocalipse é que Ele é o princípio e fim de todas as coisas. O seu reino, na visão da profecia de Daniel, traz condições de experimentar como é a forma de glória e de poder, porque o “Filho do Homem”, e esta expressão é muito importante na liturgia, desceu até nós para nos salvar. 

O Cristo anunciado pela profecia de Daniel, quando esteve conosco e celebraremos isso daqui alguns dias no seu nascimento, revestiu-se de toda a humildade, humilhou-se a si mesmo, tomou a condição humana, se fez pobre para nos dar a riqueza da graça.

E é este mesmo Cristo que celebramos, dentro deste contexto, daquele que dá testemunho da verdade.  Mas o que é a verdade hoje para nós? Termina o evangelho falando que todo aquele que é da verdade escuta a minha voz, assim se proclamamos nesta festa, que somos da verdade, que Jesus é a verdade, como caminhar nesta verdade? Sendo discípulos de Cristo. Quando o acompanhamos e o seguimos, no seu mistério da paixão, morte e ressurreição, estamos caminhando para experimentar o que é a verdade.

Agora, quando caminhamos por outras verdades ou por outros caminhos, ou até quem sabe naquela dinâmica que é moda nos tempos atuais de dizermos que não cremos mais em Deus, com certeza não somos testemunhas da verdade e não estamos escutando a voz do Senhor. 

O verdadeiro discípulo sabe ouvir a voz de Deus e não anda pelo modismo, e não concorda com vozes do tempo presente que já não mais crêem em Deus, ou dizem não crer, por que na verdade estamos diante de uma grande profecia de fé já apresentada em 1925 pelo Papa Pio XI quando disse: proclamemos Cristo Rei do universo para uma sociedade moderna, que já não experimenta a graça de ter Cristo como Rei”.

O que diríamos no século XXI, em que precisamos proclamar que Jesus é o centro do universo e razão da existência, para a geração da pós-modernidade que já não mais crê em Deus, mas talvez creiam muito mais na existência humana? Não viemos a este mundo para simplesmente ao final da nossa vida ter um fim, o reino que pertencemos nesta vida já é um reino de Deus, mas tudo culminará no reino dos céus. Só Jesus pode nos salvar, só Ele é o centro do universo, o centro da nossa vida, deixemo-nos guiar por sua palavra.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 25/11/2018. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO