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Mc 13,24-32

24Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor;

25cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas.

26Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.

27Ele enviará os anjos, e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.

28Compreendei por uma comparação tirada da figueira. Quando os seus ramos vão ficando tenros e brotam as folhas, sabeis que está perto o verão.

29Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas.

30Em verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.

31Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.

32A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai.


HOMILIA DO XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Desde a última sexta-feira, 16 de novembro, inaugurou-se na nossa liturgia um tema que nos acompanhará pelos próximos trinta dias; e como a liturgia também lida com precisão, estaremos na expectativa pela segunda vinda gloriosa do Senhor.  Esta expectativa deve encher o nosso coração não de medo, mas de uma grande esperança.

É bom percebermos que ao findar um ano litúrgico e começar um novo, continuamos com o mesmo tema na liturgia, porque assim o tempo que temos neste mundo torna-se ainda mais um tempo do Senhor.

Na semana que vem temos a oportunidade de celebrar de forma gloriosa a festa de Cristo Rei, encerrando um ciclo da liturgia, o ano dedicado ao evangelho de Marcos, e na outra iniciar um novo ciclo dando menção ao evangelho de Lucas, e o tema escatológico ou do fim dos tempos, nos acompanhará nesta transição.

E porque a Igreja, nesta sabedoria, propõe este caminho com leituras que nos aproximaram desta verdade de fé? Justamente para que estejamos bem preparados.  Foi uma promessa feita por Jesus, que Ele há de voltar para julgar os vivos e mortos.  Quando acontecerá? Não sabemos, e não cabe a nós saber.  O que nos cabe é um coração voltado constantemente para Deus, estarmos com este coração, vivificado inclusive, numa entrega a total Deus.

É dentro desse contexto que o evangelho de Marcos pode ser compreendido hoje. Quando Jesus fala aos seus discípulos como será essa segunda vinda gloriosa, Ele está preparando o coração dos seus, e faz isso também conosco, para que à medida que nos aproximamos da palavra de Deus, tomemos parte do grupo dos eleitos pelo Senhor.

Se há algo que almejamos é esta eleição de Deus e também, como criaturas de Deus, nos encontrarmos com Àquele que nos criou, percebendo que o nosso nome já foi escrito no livro da vida pelo batismo, e será escrito no céu pela graça do Senhor e pela constância de fé.

Que bela expressão da profecia de Isaias, na primeira leitura, quando escutamos que muitos estarão inscritos no livro da vida.  Por isso é uma tradição na Igreja e nos acompanha um livro de batizados ou, um livro daqueles que são iniciados na fé. Inspira-nos um caminho a seguir, um caminho de santificação e se, muitas gerações já viveram uma expectativa pela vinda do Senhor, somos a geração do tempo presente que vive essa expectativa, sobretudo com a virtude da esperança.

Por isso, permitam-me também fazer uma relação deste tempo que se aproxima com dois momentos da liturgia.  Há um momento bastante sublime em que o nosso coração e olhar está no coração do Senhor, e depois das palavras pronunciadas pelo sacerdote, quando volta-se para a assembleia e diz: eis o mistério da fé! E a Igreja propõe sempre uma resposta, que toda assembleia dá juntamente com o sacerdote que a preside, chamada de aclamação memorial.  O que é uma aclamação memorial? É um momento em que reconhecemos diante dos nossos olhos, a paixão, morte e ressurreição do Senhor.

É por isso que muitas vezes repetimos com essa proclamação: anunciamos Senhor a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição.  Mas, prestemos atenção ao pedido que fazemos cada vez que participamos da missa.  Há um pedido no final dessa aclamação, vinde Senhor Jesus, trata-se de uma insistência de muitas gerações para experimentar a presença de Deus. Esse vinde, ou uma única palavra para dizer tudo isso: Maranatá, vem Senhor Jesus, irá nos acompanhar nos próximos dias.

Vocês perceberam que em algumas ocasiões eu indico um refrão bíblico a ser vivenciado, um refrão da liturgia.  Poderíamos nos preparar bem para a vinda do Senhor repetindo essa expressão: Maranatá: vem Senhor Jesus, deste final de semana até o dia 16 de dezembro, pois a partir deste data, entraremos na expectativa da primeira vinda gloriosa de Jesus, o seu nascimento.

Diz São Bernardo, num de seus escritos, que houve uma primeira vinda do Senhor, haverá uma segunda vinda e aqueles que estão peregrinando no mundo, são chamados a viver a vinda intermediária de Cristo. Ou seja, na liturgia o Senhor vem ao nosso encontro, Ele nasce, e se aproxima todas as vezes que de nós nos dispomos ao serviço.

Há um segundo momento em que pedimos a vinda do Senhor na nossa liturgia.  O momento em que somos convidados antes da comunhão a rezar a oração que Jesus pronunciou e nos ensinou, a oração do Pai Nosso. Acho que muitos percebem, somos orientados para rezar o Pai Nosso, iniciamos essa oração, e quando chegamos ao último pedido: mas livrai-nos do mal, não repetimos o amém na liturgia nesse momento. De modo proposital, porque a oração do Pai Nosso continua depois, com o sacerdote rezando sozinho: livrai-nos de todos os males ó Pai... Nas duas últimas menções dessa oração, adquirimos uma certeza: o nosso coração é preenchido na liturgia com essa virtude da esperança.

O sacerdote diz em nome de toda a Igreja: enquanto estamos vivendo a esperança, e aguardando a vinda do Cristo Salvador, e a assembleia toda responde: vosso é o reino, o poder e a glória para sempre. Não é uma simples resposta, mas se trata de uma aceitação, o Senhor vem e virá ao nosso encontro, mas o Senhor já está presente conosco.

É toda essa realidade da liturgia que nos acompanha, que continua com uma oração assim chamada: oração da paz, e tudo é concluído quando o padre rezando sozinho diz: vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espirito Santo. Daí se completa a oração do Pai Nosso com o amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, aproveitando desse XXXIII domingo do tempo comum, aprofundamos alguns elementos importantes da nossa liturgia, mas também queremos estar em consonância pedindo a vinda do Senhor, que Ele nos encontre com um coração de pobre.  Não é à toa que o Papa Francisco instituiu que nesse dia que antecede a festa do Cristo Rei glorioso, pudéssemos celebrar o Dia Mundial do Pobre,  para mostrar que o Cristo se fez pobre para nos enriquecer. E se Ele desapegou-se de si mesmo e veio até nós, Ele quer encontrar também um coração que é capaz de acolhê-lo. É dentro deste contexto que também celebramos, nesta expectativa, esperançosos, que estejamos prontos para acolher o próprio Cristo, com um coração ligado as realidades humanas e divinas.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 18/11/2018. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO