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Mc 12, 38-44

38Ele lhes dizia em sua doutrina: Guardai-vos dos escribas que gostam de andar com roupas compridas, de ser cumprimentados nas praças públicas

39e de sentar-se nas primeiras cadeiras nas sinagogas e nos primeiros lugares nos banquetes.

40Eles devoram os bens das viúvas e dão aparência de longas orações. Estes terão um juízo mais rigoroso.

41Jesus sentou-se defronte do cofre de esmola e observava como o povo deitava dinheiro nele; muitos ricos depositavam grandes quantias.

42Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de apenas um quadrante.

43E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre,

44porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento.


HOMILIA NO XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Celebrando neste final de semana o trigésimo segundo domingo do tempo comum, entramos em sintonia por um pedido feito pela Igreja, especialmente pelo Papa Francisco.  Desde o ano passado nos pediu que, ao final do ano litúrgico, pudéssemos antes de celebrarmos o Cristo Rei, gloriosamente reinante no céu, celebrássemos o Cristo servo do Senhor que, na sua singeleza e simplicidade, humilhou-se tomando a condição humana, e rico que era, fez-se pobre para que nos enriquer.

É neste contexto que temos uma menção especial a uma semana, assim chamada, a pedido do Papa, como uma semana de atenção aos pobres. E hoje a liturgia da palavra nos ajuda a compreender esta dimensão que está muito presente na nossa vida de Igreja, o modo como celebramos a eucaristia e, constantemente somos convidados a partilhar.

Há dois exemplos que acabamos de ouvir, um do antigo testamento e outro que o próprio Cristo verificou, exemplos de viúvas e de mulheres que se tornam referências para nós, pois tomam a resolução diante de uma situação difícil, tanto na oferta do pão, quanto na oferta material.

Há em comum entre essas mulheres a confiança plena em Deus, e aprendemos que esta virtude da confiança que almejamos tanto, e pedimos por meio desta liturgia, precisa fazer parte do nosso cotidiano.

Lembremos de um pouco da segunda leitura, da viúva de Sarépta, quando ela se encontrou com o profeta Elias, possuía para si e para seu filho, um punhado de farinha e um pouco de óleo de azeite.  Estava indo preparar o último sustento para a vida, quando o profeta lhe pede: por favor, traze-me um pouco de água, e gritava ainda: por favor, traze-me também um pedaço de pão. E esta mulher responde então ao profeta: por favor, pela vida de meu Deus, não tenho o que oferecer, estava indo apanhar dois pedaços de lenha para preparar o resto que tenho para alimentar o meu filho e a mim, e depois só me resta uma coisa, esperar a morte.

Elias então, cumprindo o mandato de Deus, vai responder a esta mulher: não se preocupe, se confiardes na palavra do profeta e em Deus, o que você fizer realmente será um grande gesto, e essa farinha jamais acabará.

E ela confia na palavra de Deus, e de fato, por muito tempo pode se alimentar daquele pouco de farinha na vasilha e do pouco de óleo. É um grande aprendizado para nós, quando guardamos tudo em nosso favor, ou em favor apenas dos que estão ao nosso redor, pode ser que tenhamos um sustento necessário por um determinado tempo. Mas quando nosso coração é capaz de partilhar e aprende a dar em tudo aquilo que Deus concede, devolvendo a vida, tudo é transformado, e não só somos alimentados para este mundo, mas o dom da partilha transforma o nosso coração. 

É importante que tenhamos presente estes ensinamentos, porque a própria eucaristia que celebramos é um dom a ser partilhado.  Por isso, em um dado momento somos convidados a gestos concretos, numa pequena oferta que fazemos, gesto de oferecer um pouco de alimento a quem necessita. E, sobretudo, não só com alimento material, mas quem sabe esta semana, naquele momento em que paramos num semáforo, e alguém vem nos pedir alguma coisa, o nosso olhar já seja um pouco diferente.

Em muitas situações há pessoas que não querem nada mais do que o nosso olhar diferenciado, o nosso olhar de carinho e acolhimento. Se pudermos ofertar a estes, faremos um grande bem, se pudermos ajudar uma instituição que assiste pessoas com vulnerabilidade social, faremos um grande bem a nossa alma e a quem precisa.

No segundo exemplo do evangelho, o que Jesus verifica vendo esta pobre viúva que oferta tudo o que tem?  Que era pequena a oferta que possuía, mas era tudo o que tinha para si, oferta tudo.  No dom desta mulher está aquela oferta que somos convidados a fazer, especialmente quando o Senhor nos pede que devolvamos ao longo da nossa existência tudo o que recebemos, a começar pelo dom da vida que Deus nos concede. 

Se há uma vida, desgastada por Deus, tenho certeza que é uma vida transformada, se há tantas formas de egoísmos e fechamentos em si, e não abertura para Deus e para aquilo que iremos receber há também muitas limitações humanas pela força da ação de Deus.

Por isso, estejamos bem atentos nesta semana, e rezemos para que ninguém padeça de fome. Deveríamos sim nos preocupar, e aqui não estamos falando em nada num teor somente social e político, estamos falando de uma preocupação com alguém que passa necessidade, inclusive entre nós, a perambular pelas ruas, que muitas vezes pelo próprio sistema que as escraviza, leva-as a não terem dignidade na vida.

Que tenhamos uma especial menção essa semana a esta situação.  Se o Cristo se fez pobre para nos dar a riqueza da salvação, Ele também poderá ser um sinal para nós, e que na semana que vem, no trigésimo terceiro domingo do tempo comum, quando estaremos celebrando o dia mundial do pobre, façamos gestos concretos.  E depois sim, estaremos preparados para dizer que o Senhor é nosso Rei, e festejarmos com alegria o Cristo glorioso que vive para sempre.

Concluamos, como nos indica uma das orações eucarísticas usadas para as diversas circunstâncias. O título desta oração é:  Jesus que passa pelo mundo fazendo o bem. No momento da oração eucarística o sacerdote rezará:  “dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs, inspirai-nos palavras e ações, para confortar os desanimados e oprimidos”.

Que esta oração seja realmente uma grande prece que fazemos tendo um olhar e um coração para aquilo que necessita da nossa presença.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 11/11/2018. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO