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35Aproximaram-se de; Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos."

36"Que quereis que vos faça?"

37"Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda."

38"Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado?"

39"Podemos", asseguraram eles. Jesus prosseguiu: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado.

40Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado."

41Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João.

42Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: "Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas.

43Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo;

44e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos.

45Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos."


HOMILIA NO XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Cada vez que nos aproximamos da santa missa, entramos em comunhão plena ao mistério central da nossa fé, a paixão, morte e ressurreição de Jesus.  Em uma das catequeses do Papa Francisco sobre a eucaristia, com breves palavras, foi dito o que vivemos quando entramos numa Igreja para celebrar a missa.  Ele diz o seguinte: quando visualizamos sobre o altar uma cruz estamos vendo o que significa participar da missa, que é participar do único sacrifício de Cristo, do sumo e eterno sacerdote que se entregou por nós, Jesus Cristo.

É dentro deste contexto que nos inserimos ao sacerdócio de Cristo, desde o momento que recebemos o batismo e com a participação na eucaristia. Todos nós participamos do sacerdócio de Cristo, o que no Concílio Vaticano II ficou definido como participação no sacerdócio comum dos fiéis.

Mas há alguns que são tirados deste sacerdócio comum, para o exercício do sacerdócio ministerial. Nesta escolha que, conforme a carta aos Hebreus, segunda leitura de hoje, provém do coração de Deus. O sumo sacerdote, aquele escolhido, tirado do meio dos homens, instituído em favor dos homens, para fazer o que? Para se referir sempre a Deus, e oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Eis a missão de um sacerdote tirado do meio do povo.

Mas ainda, continua a carta aos Hebreus, como deve ser exercido este sacerdócio. “Sabe ter compaixão destes que estão na ignorância, no erro, porque ele mesmo está cercado de fraquezas”. E, se há fraquezas na vida do sacerdote, o que ele pode fazer? “Oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo, quanto por seus próprios pecados”.

É por isso que ninguém pode atribuir-se desta honra senão Deus, que escolhe alguns, e como Deus escolheu seu Filho para ser seu Sumo e eterno sacerdote da nova e definitiva aliança, ele continua escolhendo alguns homens para este serviço.

 A escolha de Jesus, a escolha dos sacerdotes também está ligada a linha do Rei Melquisedec, ordem do antigo testamento. Quem foi este rei Melquisedec? Ele não tem genealogia, não tem história, é citado como o grande rei que depois seria o sinal para muitos que abraçariam o sacerdócio. Jesus está nessa linhagem também, inclusive escutamos hoje: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”.

Se há a escolha de alguns então para o exercício ministerial, é para que aproveitemos da eucaristia como sinal de participação no sacerdócio comum de Cristo. Mas como participamos então desse sacerdócio?

O evangelho de hoje narra um modo bem peculiar desta participação, quando há a narrativa da cura do cego e mendigo.  Existe também a possibilidade de nos inserirmos neste texto e pedirmos a misericórdia do Senhor, conforme aquilo que fazemos durante o rito de toda a santa missa, pedimos o amor, a misericórdia e o perdão.

Mas acompanhemos o itinerário vivido por este cego, e quem sabe façamos o mesmo caminho em direção a Cristo.  Eis que Jesus já está muito próximo de Jerusalém, vinte quilômetros, porque a cidade de Jericó fica a esta distância da grande cidade de Jerusalém.

Jericó, cidade tão lembrada no antigo testamento pelas muralhas e pelo cerco. Tivemos um cerco de Jericó que terminou na última sexta-feira, e as muralhas daquela cidade que eram tomadas por muitos deuses, caíram, para adorar um Deus único e verdadeiro.

Jericó, cidade tão importante no mundo inteiro, referencial para aqueles que caminham próximos de Jerusalém, e lá se encontrava Jesus com seus discípulos e uma grande multidão.

Estava à beira do caminho este cego e mendigo, o filho de Timeu, Bartimeu. Ele não tem nome por que estava como mendigo pelo mundo e sentado à beira do caminho, e ouviu falar de Jesus. E quando Jesus passava o que fez este homem? Gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”.

Esta oração tão profunda que brotou do coração deste cego, também pode brotar do nosso coração. E não só quando participamos da missa, mas ao longo do dia.  Se já não temos palavras para acrescentar na nossa oração, no silêncio do coração poderíamos repetir como aquele peregrino russo que repetiu tantas vezes esta frase: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”, e encontrou uma conversão profunda do seu coração.

Se quiserem saber um pouco mais sobre a história desse peregrino russo há dois livros. O primeiro deles indica o modo como ele quando passou por uma Igreja, escutou este evangelho e tomou consciência de que esta frase resumiria a sua vida. Começou a repeti-la constantemente e eis que surgiu este livro: “Relatos de um peregrino russo”. Por meio desta frase profundíssima o peregrino encontrou o caminho com Cristo. Perceba, o que esta frase contém: o nome de Deus que salva, Jesus; também a descendência deste filho de Deus, filho de Davi, e ainda, um pedido de misericórdia: tende piedade de mim.

Esta frase é um resumo de uma profissão de fé, um grito de socorro, para que Deus venha ao seu encontro.  E quando eles o levam, os discípulos disseram: coragem! É Jesus que está te chamando. Porque muitas vezes estamos presos àquele lugar que estamos acostumados, mas é preciso coragem para levantar.

E que o cego faz? Joga o manto, se desprende do que tinha, do manto de proteção contra aquela região desértica que é muito fria a noite. Mas já não há mais frio, ele joga o manto, e dá um pulo para encontrar-se com o Senhor, e Jesus pergunta-lhe: o quer que eu lhe faça? Que pergunta mais óbvia, se é um cego, que eu enxergue. 

Se a pergunta é óbvia, a resposta também é; mas não é por aquilo que vemos visivelmente que o evangelho está tratando. Quando o cego responde: “Mestre”, “Senhor”! Ele reconhece que está diante de seu mestre, “que eu veja”, mas não é ver só no sentido da utilização da visão, é um ver do coração, por isso Jesus o cura, dizendo: “vai, a tua fé te curou”.

Concluindo então este itinerário de fé, o cego recupera a vista e segue Jesus pelo caminho. Se ele recupera é porque de alguma forma teve anteriormente uma visão do mundo, teve uma visão, perdeu e recuperou. E isso não acontece conosco? Tantas vezes, mesmo não tendo essa dificuldade de ver com os olhos, ou, tendo ainda, precisamos ao longo do itinerário de fé pedir: “que eu veja”, “que eu tenha os olhos realmente voltados para aquilo que é essencial”.

E precisamos concluir esta reflexão de hoje, voltando de novo para aquela ideia primeira. Os nossos olhos podem continuar vendo aqui no altar uma partícula branca, um pouco de vinho e um pouco de água, mas no mistério profundo que é a eucaristia, e pelas palavras do sacerdote, já não há mais pão, já não há mais partícula branca, já não há mais vinho, mas, pelos olhos da fé, vemos o corpo e o sangue do Senhor.

É por isso, que a cada eucaristia, precisamos pedir: misericórdia Senhor, tende piedade ou Jesus, filho de Davi, tende piedade de mim.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 28/10/2018. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO