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Mc 9,38-43

38João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demônios em teu nome, e lho proibimos.

39Jesus, porém, disse-lhe: Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim.

40Pois quem não é contra nós, é a nosso favor.

41E quem vos der de beber um copo de água porque sois de Cristo, digo-vos em verdade: não perderá a sua recompensa.

42Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!

43Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível.


HOMILIA NO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

A liturgia deste XXVI domingo do tempo comum nos dá uma oportunidade singular de refletirmos e, ao mesmo tempo, a partir desta reflexão tomar um rumo naquele momento em que somos convocados a sermos Igreja de Cristo. Como compreender a dimensão de uma especial vocação que temos no chamado que o Senhor nos faz a tomar parte da sua Igreja?

            A primeira constatação a fazer é que todos receberam esta vocação ou este chamado a partir do momento em que abraçaram a fé, portanto, por meio do batismo.  Se depois ao longo de um tempo entramos numa catequese, recebemos a primeira comunhão e somos confirmados no batismo, em vista desta convocação e desta missão, em nós há uma semente de fé lançada pelo batismo.  

Essa semente deve ser cultivada e conservada como pertença à Igreja de Cristo. Pois se fomos configurados a Cristo pelo batismo, nesse mesmo dia começamos a pertencer a uma família muito maior que aquela família de sangue a qual pertencemos, é a família de Cristo.

            E como podemos perceber visivelmente a pertença a esta comunidade de Cristo? Percebemos pela eucaristia. É preciso nos empenhar a perceber que a ação de Cristo no meio comunitário se dá na formação de pequenos grupos ou pequenas comunidades.  A Igreja é ampla e feita de uma diversidade tão grande, que reúne inclusive pessoas de diferentes opiniões e até mesmo de diferentes dons.  

Temos hoje, por meio desta liturgia da palavra, que tomar consciência de que o Espírito Santo está plenamente na Igreja e no grupo, no movimento, na pastoral a qual pertenço. É deste modo que temos um final de semana, o terceiro, que fazemos um workshop pastoral. 

A ideia é bem evidente: mostrar para todos que temos uma diversidade de grupos, movimentos e pastorais.  O Espírito Santo está em todas as pastorais e movimentos, mesmo que muitos pensam que pertencendo a um determinado grupo ou pastoral têm mais presença do Espírito do que dos outros. Mas, é possível que o Espírito Santo esteja presente também em outros grupos que porventura não estejam pertencentes a esta Igreja, este santuário? Sim.

            É isto que aprendemos na primeira leitura, quando no Livro dos Números se narra um diálogo: é quando o próprio espirito foi tirado de Moisés e foi dado aos 70 anciãos.  Era um grupo de homens reunidos na comunidade, então, Moisés reunido com os anciãos, também deu a plenitude do mesmo Espírito, e esse Espírito repousou sobre estes 70, de modo a que eles começaram a profetizar. 

Pois bem, havia dois destes que não estavam no episódio do acampamento, e não estavam na comunidade, Eldad e Medad, mas de igual modo o Espírito repousou sobre eles, e eles também começaram a profetizar. 

Então alguém, como sempre acontece, veio contar a Moisés: “olha existe dois que começaram a profetizar e não sei por que isso, pois nem receberam o dom do Espírito no acampamento”; e Moisés vai dizer: “porque você tem ciúmes? É por mim? Deixe que estes também profetizem”.

Se na primeira leitura há a figura de Moisés que diz: “deixe que estes profetizem”, no evangelho encontramos o mesmo retrato dado por Jesus: “mestre, nós vimos outros que nem pertencem a nosso grupo expulsando demônios em teu nome, mas nós o proibimos”. Impressionante: “o proibimos”. Parece ser um consenso de a comunidade proibe que o Espírito possa agir no meio e em outras pessoas. E o que Jesus responde? “Não o proibais” ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim, deixe que falem, não estão falando contra nós. 

Vejam que ensinamento, da primeira leitura e do evangelho! É preciso compreender que a dinâmica do Espírito e o modo como ele repousa sobre a humanidade, pertence a Deus e não a nós.  Alguns grupos, dentro da Igreja, se acham plenos e não admitem que o Espírito possa estar em outros grupos, e há pessoas que pode ser que vivam uma autenticidade de fé e nem pertençam à comunidade dos cristãos.  É possível que isto aconteça? Sim, porque às vezes, a nossa pertença à comunidade está muito impregnada pelo nosso jeito de ser, e temos que nos modelar e configurar no jeito de ser de Cristo.

Não pode ser só o meu jeito de ser a impor naquele grupo ou na Igreja o jeito de ser Igreja, mas é preciso sim abrir-se para que os dons e carismas sejam bem vivenciados.

Hoje está possibilitado um encontro para conhecermos as pastorais, e não precisa ficar bravo, pois o padre as vezes precisa fechar a porta para que  todos possam passar nem que seja rapidamente pelas pastorais. Alguns ficam bravos como se fossem perder muito  tempo passando dois minutos pelo salão e depois indo para casa.

Estamos no domingo, dia de encontro com Deus, não custa dar um tempo de partilha, não faz mal a ninguém.  Faz bem até no ser comunidade, porque ser comunidade é pertencer a Igreja no todo. Quem sabe encontrar-se com alguém, entender que aquele carisma ali vivenciado por aquele grupo é tão importante para a solidez da Igreja.

Por isso, fazemos isso uma vez ao ano para compreendermos que a dinâmica do Espírito está presente nesta diversidade. E precisamos acolher essa diversidade que a Igreja sempre acolheu. Mas ultimamente o Papa Francisco tem pedido para acolher as pessoas novas, e estarmos abertos para os diversos carismas e ministérios.

 Se nós em nosso grupo nos fechamos, torna-se um grupo falido e tem a tendência de morrer. Agora, se abrimos às vezes um simples sorriso, esse grupo será fortalecido, esse grupo vai crescer e este movimento terá uma solidez de fé. É assim que somos convocados a não nos fechar em nós mesmos.

Ontem, conversando com dois sacerdotes e dois seminaristas, chegamos a algumas constatações: o Papa Francisco tem pedido muito para que a Igreja esteja aberta as novidades e as diversas pessoas que vem até ela. Dizíamos: as dificuldades talvez não estejam só nos padres, esteja nos leigos, porque há muitos grupos e muitas pessoas fechadas em si mesmas. Se o coração está fechado para o outro, de nada adianta ter um papa que acolhe, ter um bispo que proporcione acolhida e ter um padre que incentiva a isso se o coração está fechado.

Por isso é necessário começar de igual modo a perceber que o nosso coração aberto possibilita crescimento, possibilita configuração a Cristo. Assim, nos deixemos mover pelo Espírito Santo que habita em nós, ele jamais nos fecha para a diversidade de carismas e dons. Pelo contrário, ele é dinâmico, e possibilita contato com realidades que nem conhecemos, dons que nem reconhecemos como dons da Igreja, mas são necessários para que o corpo de Cristo seja fortalecido.

Vivamos o mistério da acolhida e busquemos compreender na dinâmica deste acolhimento o modo como Jesus nos quer: felizes pelas pessoas que vem ao nosso encontro que nos possibilitam um encontro com o Senhor.

Este texto foi transcrito, com algumas adaptações, da homilia proferida pelo Pe. Maurício na missa das 19:00h do dia 30/09/2018. Não passou por uma revisão gramatical e ortográfica profunda, mantendo a linguagem coloquial original.

Escrito por: PE. MAURÍCIO